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Hoje o APB estreia uma nova seção do site, que é o APB Entrevista. A partir de agora, vocês poderão curtir de tempos em tempos entrevistas com personalidades que fizeram e ainda fazem história com o Grêmio. Boa leitura!
Tarciso – Gols dentro e fora de campo
Quem não conhece José Tarciso de Souza? Este mineiro de São Geraldo nos trouxe muitas alegrias nos anos em que esteve no Grêmio. O Flecha Negra, como ficou conhecido esteve na conquista da nossa primeira Libertadores e do Mundial. Foram treze anos de trabalho e dedicação ao Grêmio que transfomaram Tarciso em um dos grandes personagens da história do clube.
Em função de todo este passado glorioso, entramos em contato com a equipe do agora Vereador Tarciso Flecha Negra na tentativa de entrevistá-lo. Chegada a confirmação da entrevista, saímos correndo para a Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Na recepção perguntamos onde era o gabinete de Tarciso. O recepcionista respondeu “Terceiro andar.” E lá fomos nós pegar o elevador. Quando chegamos na frente do elevador a porta estava fechando. Quando falamos “putz, perdemos o elevador”, eis que a porta se abre e quem está lá dentro? SIM! Ele! Meio surpresos dissemos:
- Puxa Tarciso, estávamos justamente indo no teu gabinete te entrevistar! – mais contentes que guri de bombacha nova.
- Sem problema, vamos lá! – respondeu o Flecha Negra sorrindo.
Já em seu gabinete conhecemos a sua equipe que nos recebeu super bem e, depois, fomos para sua sala. Enquanto agradecíamos o fato de ele estar gastando uma parcela do seu tempo para que pudéssemos lhe entrevistar, ele diz:
- Pro Grêmio a gente sempre tem tempo!
A simplicidade dele impressiona e até assusta em um primeiro momento. Sabem como é: estar cara a cara com um ídolo não é uma tarefa das mais fáceis! Conhecer a história de uma lenda viva do Grêmio é uma coisa porém, quando tu ouve a história sendo contada pela própria lenda, a coisa muda de figura. Então, passadas as apresentações, conversamos por mais ou menos uma hora como se fôssemos velhos conhecidos. E agora, vamos contar para vocês como foi esta conversa. Confira:
APB – Quem é o Tarciso?
Tarciso – Em primeiro lugar queria saudar a todos, saudar a vocês por essa iniciativa da entrevista. Meu nome é José Tarciso de Souza, que se criou Tarciso. Sou de Minas Gerais, fã do Pelé, Jairzinho, Tostão. Na minha época de menino eu torcia pelo Vasco. Sabe como é, mineiro tem essa mania. Nas cidades perto do Rio de Janeiro as pessoas torciam pros times de lá. Eu tinha uma pequena afeição pelo Cruzeiro, a Raposa. Daí fui para o Rio jogar no América. Comecei na escolinha e, naquela época, meu maior sonho era entrar no Maracanã. Nem era muito pelo dinheiro, essa loucura toda. Um sonho menor que eu tinha lá em Minas era o de ter uma bicicleta. Assim que me tornei profissional em 1970, acabei passando direto por bicicleta, carro e comprei um apartamento. Tanto que nem sei andar de bicicleta direito (risos). Mas o meu maior sonho era mesmo jogar no Maracanã, ser um jogador… e ainda sou! A bola tem um feitiço que me encanta! Ainda hoje eu jogo no “cinquentão” do Grêmio. E a gente joga pra valer mesmo, é uma correria! Parecemos uns guris correndo, e sentindo cãibras (risos).
APB – Tarciso, e o Grêmio?
Tarciso – Do América vim para o Grêmio em 1973. Vesti esta camisa por praticamente treze anos. Na metade de 1986 fui embora para o Goiás. E essa cidade, esse povo, me acolheram com muito carinho, com muito amor, e o Grêmio me colocou na vitrine do futebol. Eu tenho mais do que carinho pelo Grêmio (na hora ele abre o blazer e mostra sua camiseta social com o distintivo do Grêmio bordado) tanto que no meu gabinete é tudo azul, preto e branco. E não quer dizer que eu não goste do vermelho. Não tenho nada contra, respeito muito o Inter que também é um grande clube, mas o Grêmio é a minha família.
APB – Pois é, tu ficaste treze anos no Grêmio e isso hoje não é mais comum de ver. Não se vê mais aquele carinho, aquele apreço pelo clube. Nesse lance de futebol-negócio o que vem falando mais alto é o dinheiro. Qual é a tua opinião em relação ao futebol como ele está organizado hoje?
Tarciso - Pra vocês terem uma ideia, hoje um jogador que joga cem partidas por um clube faz camiseta comemorativa, diz que bateu recordes. Eu joguei 815 partidas pelo Grêmio. E naquela época, jogador de futebol era um profissional-amador, porque não havia empresários. Apesar de o mundo todo conhecer a Seleção Brasileira, não havia mercado na Europa para jogadores brasileiros e sul americanos, como argentinos e paraguaios. Hoje existe um mercado muito forte e o mundo inteiro quer jogador brasileiro. Além disso, existe a figura do empresário. Na nossa época, tu ia assinar um contrato em uma sala com três diretores sentados na tua frente, e um jornal em cima da mesa. Por exemplo, eu era ponta-direita do Grêmio, e o jornal dizia “Grêmio pensa em contratar Zequinha do Botafogo”. E aí tá o contrato na tua frente (risos): “Tá e aí, tu assina ou não?” (mais risos) O papo era direto porque os jogadores não tinham mercado. Na época de João Saldanha, tivemos três Seleções Brasileiras que só tinham feras! E esses caras faziam sombra. E ainda, jogar no Grêmio ou no Vasco, Flamengo era quase uma briga de gladiadores. Tinha que matar um leão todo dia pra se manter titular pois tinham jogadores no banco que tinham nome e isso era uma pressão muito grande. E também na época o jogador tinha amor de jogar pelo clube. Nos meus 13 anos de Grêmio eu vi muito jogador chorando quando ia embora porque eles amavam jogar no Grêmio.
APB – Quer dizer que não existe mais amor pela camisa?
Tarciso - Hoje, jogador não tem mais amor pela camisa. Tem amor pela profissão e tudo mas não é como antigamente. Antes era 70% amor e 30% financeiro. Hoje é o contrário. Isso começou nos anos 90 quando abriu o mercado e os empresários começaram a vender essa mercadoria que é o jogador de futebol hoje. É aquela história: se tu não quer, o Milan quer. Hoje tu treina tranquilo, joga, faz um gol e já tá vendido por 20 milhões de dólares. Antigamente não tinha isso. Por isso que antes jogador era profissional-amador.
APB – E hoje os jogadores ganham muito mais dinheiro, não é?
Tarciso - Sim, mas eu digo pra vocês que é merecido pois existe todo um preparo. E a carreira de jogador é curta. O cara joga uns 15 anos em média hoje e tem esses problemas de lesão e tudo o mais. Daí o cara pensa: “Pô, eu tenho 20 anos e tô indo pra Itália. Daí eu tenho mais uns 10 anos porque lá pelos 30 eu vou começar a não ser mais atraente pro mercado. Então deixa eu colocar meus milhões de dólares no banco pra depois que eu parar, só curtir a vida, montar algo grande pra mim, virar empresário, montar um centro de treinamento e tal pra poder revelar mais garotos e ganhar dinheiro”. Mas é o seguinte, eu não vou culpar o fato de hoje ter muito dinheiro rolando no futebol. Tu vem me perguntar “mas merece tudo isso, Tarciso”, eu te digo que sim, merece. Coloca uma marca de um Ronaldo, um Kaká que tu vende tudo.

- Contra o Hamburgo na final do Mundial (1983)
APB – Até porque eles servem de ídolos pras crianças como tu foste também…
Tarciso - Claro, pois existe o papel da inclusão social das crianças e a formação do cidadão através destes caras. E são os grandes ídolos que lotam os estádios hoje. Quem enche hoje um estádio do tamanho do Olímpico ou do Beira-Rio? Só o Roberto Carlos! Ou o Michael Jackson que faleceu agora há pouco. Só os top! É difícil tu ver outra celebridade causar tanta movimentação. Até tem esses artistas de novela que enchem no máximo um shopping. Mas de encher estádio, um espaço aberto, só jogador de futebol! Imagina um Grenal, só os grandes, só os melhores. Estádio cheio! Só isso já justifica tudo. Imaginem só: a final da Libertadores contra o Peñarol colocou 80 e poucas mil pessoas no Olímpico. E isso não é visível só pra Porto Alegre! O país todo vê, o mundo vê. Imaginem então o Mundial. É uma responsabilidade muito grande que tu tem. É um saco de cimento nas tuas costas! Até porque, no caso do Grêmio, não tem Gremista só em Porto Alegre. Tem Gremista no Paraná, em Santa Catarina, no Mato Grosso. E tu tá jogando por ti, pela tua família, pelo torcedor que tá rezando e fazendo promessa. Tua imagem atinge milhões de pessoas. Por isso que eu acho que esse dinheiro que os jogadores ganham hoje é merecido. Só o que eu sempre discuto nas mesas de debate é que não é só o Kaká, o Ronaldinho que têm que ganhar isso. Tudo bem, eles são craques. Mas muitas vezes as pessoas não se dão conta de que são 11 contra 11 no jogo. E tem aqueles jogadores que não têm a mesma visibilidade como o zagueiro que marca e tira a bola, como o goleiro, enfim, jogadores que não são os mais badalados mas são extremamente importantes para o time, o famoso carregador de piano. Esses caras tinham que ser melhor remunerados também, pois também fazem parte do show.
APB – E como tu vê a situação dos clubes hoje?
Tarciso - Por tudo que eu leio hoje principalmente de Grêmio e Inter, o clube hoje está sendo usado principalmente como uma vitrine. Porque eles quase não têm jogadores. O clube tem 20%, o empresário tem 30% e assim por diante.
APB – E daí a gente volta pro empresário que investe dinheiro no atleta e realiza essas negociações pra tirar sempre o dele, certo?
Tarciso - Sim, por isso que eu digo que os clubes hoje são uma vitrine de shopping. Tu vai lá, paga aquela loja pra usar a vitrine e expor teus produtos. Se o cara chegou, olhou e gostou ele leva embora. E os empresários precisam de jogadores pra manter esse shopping, pras pessoas irem nesse shopping. Ver o quê? Futebol. E torcedor quer ver o jogador. Ele deixa de comprar o leite pra ir no jogo, é fanático. Também, se o time não corresponder o torcedor xinga, joga rádio…
APB – Falando em xingar, torcedores fanáticos dizem que tem muito corneteiro dentro do estádio… aqueles que estão sempre reclamando, mesmo quando o time está bem. Chama de pipoqueiro, mercenário, diz que tá fazendo corpo mole… como era na tua época de jogador? O apoio era maior ou rolava corneta?
Tarciso - Não, isso sempre teve. Na minha opinião, e eu posso estar errado, o corneteiro é aquele cara que vai pro jogo com o radinho no ouvido. É aquele cara que não acredita no que ele vê, só acredita no que ele escuta. Se o comentarista de rádio e o narrador fala mal do jogador, o torcedor começa a vaiar. Esse é o corneteiro. Se tu vai pro estádio, senta e começa a observar o esquema, ver que o jogador tá deixando furo e critica aquilo, daí sim tu é um torcedor, porque tu tá vendo isso. Já o corneteiro não entende de futebol e se deixa levar pela imprensa. Às vezes o time está jogando certo, conforme o treinador pediu mas, se não está de acordo com o que a torcida quer, toma vaia.
APB – E a pressão sobre o treinador? É muito grande?
Tarciso – Eu fui técnico por quatro anos. Até o Gavillán foi meu jogador nos juniores do Cerro Porteño. É difícil treinar um time, é uma responsabilidade muito grande. Qualquer mexida mal dada pode impactar o desempenho do time. O torcedor às vezes entende tanto quanto o treinador. Mas tem outros que não entendem nada e ficam pelos cantos falando mal do técnico, a direção ou qualquer um que passar pela frente.
APB – Tarciso, existe muito comentarista de resultado por aí. Se o time ganha, falam que o time é bom. Se perde, dizem que o time é limitado. Como isso repercute no vestiário?
Tarciso – A gente fica sempre de olho no que a imprensa fala. A gente sabe que, na maioria das vezes, a imprensa vende desgraça, coisa ruim. Notícia boa não vende jornal, tem que falar sobre desgraça. Daí vem um jogador estilo Romário ou Ronaldo que responde pra imprensa, os caras ficam brabos. Mas é assim, a imprensa não tem compromisso com o torcedor nem com o jogador. Já o jogador tem um compromisso com a torcida. Por isso que falam o que querem. Mas jogador não se preocupa com isso não. Se o cara se preocupar, ele some do mapa.
APB – A gente já sabe de toda tua história vencedora com o Grêmio mas, tem alguma história inusitada ou engraçada que tu possa contar pra gente?
Tarciso – Uma vez no hotel estávamos concentrados pra um Grenal no Olímpico. Eu estava com uma pequena dor muscular na perna esquerda, no músculo posterior. Nada de grave, mas há noite eu fazia bolsa de água quente pra relaxar mais. Daí, dentro da concentração a gente tinha uma mesa onde eu, Banha (massagista), Yura, André Catimba e Eder fazíamos uma caxetinha, um carteado. Daí eu falei pro Banha me trazer a bolsa que eu ia fazer ali mesmo já que tava sentado, antes de ir dormir. Daí o Banha trouxe a bolsa e como tava todo mundo concentrado no jogo, minha dor era na perna esquerda e ele levantou a perna direita pra colocar a bolsa. Daí eu fiquei lá uma hora com a bolsa ali jogando. Daí era umas dez da noite e tinha que fazer o lanche antes de se recolher, daí eu levantei, vi a bolsa na perna errada e falei: “Ô Banha! Tu botou a bolsa na perna errada! Era na perna esquerda” (risos). Daí começou a risada, e o Banha responde: “Ah, negão, tu não tá machucado coisa nenhuma! Não sabe nem qual a perna que tá doendo!” (muitos risos). Mas depois fomos pro Grenal e ainda ganhamos. Então, ficou tudo bem.
- Tarciso comemora um dos quatro gols do Grêmio no Grenal 236
APB – E quando tu decidiu parar?
Tarciso – Eu comecei a jogar futebol nas divisões de base do América em 1968 e joguei de contrato assinado até 1991. O futebol te mostra a hora de parar e você tem que ser um cara inteligente e começar a se preparar pra parar uns dois anos antes. Eu comecei a me preparar pra parar de jogar no Cerro Porteño. Em 1987 fomos campeões, fiz o gol do título e tudo e em 88 já não fiz uma boa temporada. Eu já estava com 37 anos. Daí vim para o Coritiba. Aí começa aquele papo de que tu está velho e está na hora de parar. Cheguei no Cadeira Cativa da Guaíba e falei pro Edegar Schmidt: “eu vou parar”. Não dá, você passa 20 anos jogando em times grandes e daqui a pouco vai pro interior jogar em times menores. É complicado. Tem aquela história de recebe, não recebe e começa a passar trabalho. Tu começa a ser muito cobrado por tudo que tu já fizeste. Então o Romildo Vallandro, presidente do Zequinha, a quem eu chamava de Padrinho, me convidou pra jogar mais três meses por lá. Aceitei, mas falei que era sem compromisso. Ia treinar somente dois dias da semana, sem musculação, só bola. Daí aceitaram e joguei os três meses e encerrei mesmo. Mas é difícil parar. O corpo dá sinal de que tem que parar mas a cabeça quer continuar jogando.
APB – Bom, hoje tu és Vereador e tu tens trabalhado em diversos programas sociais. Conta um pouquinho como está teu trabalho hoje.
Tarciso – Depois que eu parei de jogar bola, voltei pra cá e montei uma escolinha. Não era pra fazer jogador de futebol, a principal intenção era formar um cidadão de caráter. Eu sempre procurava conversar com a criançada e perguntava como estava no colégio. As mães começaram a gostar que as crianças chegavam em casa e diziam que o tio tinha mandado comer tal coisa que tinha vitamina e tal. Eu até tinha uma brincadeira com elas tipo “o Thiago e o Valdomiro escolhem qual é a salada de hoje”. Um escolhia um legume e outro uma folha. De repente chegava um e falava “cenoura” e o outro “alface”. Daí eu falava que na próxima aula eu ia perguntar quem tinha comido cenoura e alface, pois jogador de futebol precisa de vitamina pra correr. Daí eu falava que ia levar as crianças no Grêmio pra ver como um jogador se alimentava. E eu sempre cobrava nota boa no colégio. Quem tinha nota boa saía pra excursão. Era uma maneira de incentivar as crianças a estudar. Meu objetivo era a inclusão social, era ajudar as crianças a alimentar os sonhos delas. Hoje como Vereador meu foco é a criança. Meus projetos visam formar o cidadão. Tenho um projeto hoje em tramitação do “Kit Escolar” para ajudar famílias de baixa renda da rede Municipal.
APB – No que consiste esse Projeto?
Tarciso – Muitas famílias mal tem dinheiro pra comer. Os pais matriculam a criança na escola e tem que comprar o material escolar. Só que, de repente, o pai é carroceiro, papeleiro e ganha pouco. Além disso tem que sustentar mais três ou quatro filhos. Se comprar o material escolar, talvez não sobre dinheiro pra colocar comida em casa. Então todas as famílias com renda abaixo de dois salários mínimos teriam direito a este kit. Minha motivação é terminar com essa demagogia barata de que lugar de criança é na escola mas, na hora de apoiar a criança não dão nada. E é dever dos governantes dar condições pra depois poder cobrar uma sociedade melhor. Se cada empresário investisse nas crianças, tudo seria muito melhor, pois ajudaria a educar as crianças evitando que elas fossem para o lado das drogas.

- Hoje Vereador, Tarciso marca gols fora de campo
APB – E você ainda mantem a Escolinha de futebol?
Tarciso – Sim, mantenho mais de 200 crianças na escolinha pra poder ajudá-las a ser alguém na vida. Tem gente que diz que eu sou louco de fazer isso. Mas não é loucura. É tão barato manter uma escolinha, se gasta menos de R$ 1.000,00 por mês e isso faz bem pra todos, inclusive pra quem está bancando. É aquela história do beija-flor: se dá um incêndio, ele pega uma gotinha e joga no fogo pra tentar apagar. Daí todo mundo fica rindo do beija-flor, perguntando se ele acha que apaga sozinho um incêndio com tão pouco. Não, não se apaga. Mas pelo menos ele está fazendo a parte dele. Se cada um fizer sua parte, dá pra reverter as coisas e, quem sabe, apagar essa fogueira. Até por isso entrei na política, pra fazer minha parte. Outra coisa que eu estou propondo é cobrir todas as quadras de esporte de Porto Alegre. Chega o verão, tem o risco do câncer de pele, ou até mesmo está chovendo, mas a criança pode praticar esporte sem se molhar. No Rio de Janeiro já é assim. Também tenho outro projeto que, para cada condomínio construído, 2% da área seja utilizada para uma quadra poliesportiva. Resumindo, meu objetivo é ajudar as pessoas com tudo que estiver ao meu alcance.
APB – O que é mais difícil? Entrar em campo em uma final de campeonato ou votar algum projeto de Lei no Plenário?
Tarciso – Ah, no campo o cansaço é físico, aqui o cansaço é mental. No campo tu só depende de ti para agradar a torcida. Já aqui tu depende de outras pessoas. Tem que pesar se as decisões que tu está tomando vão realmente ser boas pra cidade ou não. E sempre tem a base governista e a oposição. Mas se tu entrar aqui com propondo o trabalho que tu prometeste pro povo na eleição, as coisas ficam mais fáceis. Não precisa inventar nada. Basta defender os interesses de quem te elegeu. No fim das contas trabalhar aqui é mais fácil, pois te dá mais tempo para estudar o que acontece em outros lugares e propor ideias para a cidade.
APB – E qual a mensagem que tu gostaria de deixar pra torcida do Grêmio?
Tarciso – A torcida está dando uma demonstração de amor ao clube. É uma torcida maravilhosa! Eu quero que continue do jeito que está pois a torcida é metade do Grêmio. É por causa da torcida que o Grêmio não perde em casa. Se continuarmos assim, se Deus quiser ainda vamos ter muitas alegrias!

- Brum, Tarciso e Valdo: os fãs com o ídolo
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Créditos: Valdomiro Junior, Thiago Brum e Eduardo Leonardi (revisão)





