Não me sinto confortável para avaliar o desempenho do time no jogo contra o Avaí ou então comentar o resultado. A eliminação do Grêmio da Taça Fábio Koff me deixou um tanto perplexo e me fez voltar ao sentimento que me dominava quando este time ainda estava em formação. Na realidade eu ainda não sei se este grupo já tem uma forma. Ainda assistimos a interminável sucessão de adaptações, testes e promoções, além das variações extremas no desempenho individual da maioria. Sinal de trabalho em andamento e com estimativa de conclusão indefinida.
Foi bom ter o Borges de volta, mas as pulgas continuam atrás da orelha. Mário não é um zagueiro completo, mas também não é o lateral adequado. Ferdinando é ruim, mas sem ele o time parece ter ficado pior. Adilson tinha até cabelo de Lucas, mas se parece cada vez menos com ele. Edilson chegou com discurso e atuações interessantes, mas já parece atrair a vaia nossa de cada dia para o seu lado. Fabio Santos agradece, já que lá para os seus lados a calmaria tem reinado e ele até assiste de camarote os ataques da torcida cada vez que os volantes tem indisposição intestinal.
Enquanto Victor bloqueia até raios UV lá atrás e a dupla dinâmica faz gols enlouquecidamente como se fossem guris em peneirão, o resto corre pra fugir dos amendoins.
A camisa parece que hoje anda pesando um pouco mais pela falta de glórias, que já vem adicionando uns quilos extras àquele distintivo, já tão pesado pelo infinito conjunto de glórias do passado centenário. Um erro, uma vaia. Uma eliminação e o flashback do inferno volta a beliscar até os mais calmos torcedores.
“Perder a invencibilidade pro Pelotas!?”
“Tomar sufoco do Avaí!?”
Que o Grêmio seja Campeão Gaúcho e de mais algum campeonato ou copa em 2010, senão 2011 vai ser um saco…
Acabou-se o período de entresafra no futebol. Acabaram-se as especulações, a falácia sobre a montagem do novo grupo, a celeuma sobre jornalista “isento” se sentir ofendido com piada de bar e assim por diante. Recomeçou o ano para o Grêmio. E o primeiro desafio foi justamente contra o Pelotas, de volta à Primeirona Gaúcha após 5 anos, babando de vontade de cometer um crime no Imortal.
A festa da torcida do adversário foi interessante, assim como o esforço do clube em bem atender a todos. Mas, como já sabemos, times do interior não têm condições de competir com a dupla GREnal (pelo menos ainda…). Muita lentidão para entrar no estádio, a Brigada (de novo) mais atrapalhando do que ajudando, e uma confusão entre as torcidas nas arquibancadas da Boca do Lobo, justamente onde deveriam haver policiais. Foi um momento que ofuscou um pouco uma festa até então bonita.
Quanto ao jogo, não entendi direito o que o Silas quis com um esquema onde Hugo, Souza e Leandro jogavam na meia deixando Borges sozinho na frente logo no início. Minha dúvida viria a ser sanada com o tamanho da pressão do Lobão em cima do nosso time. O time, ainda sem entrosamento, mostrou precariedade em alguns passes que deveriam ser fáceis e algumas jogadas de efeito – que eram abundantes em coletivos e até em jogos-treinos – praticamente desapareceram. É, enfrentar time profissional, independente de grandeza do clube é bem diferente do que o São Paulo de Bento.
Perto do fim da primeira etapa, o Lobão consegue fazer 2 gols em um intervalo de 1 minuto. Deu um “mandrake” no time do Grêmio e o Pelotas aproveitou pra fazer a festa. Primeiro gol, passe do Sandro Sotilli, o velhinho bom de bola. Logo após, o próprio deixaria sua marca. No primeiro tempo, só quem me agradou na defesa foi o Henrique. Voluntarioso e combativo, chegava em 3 de cada 4 lances de perigo contra o Tricolor.
Na volta para a segunda etapa, uma mudança de esquema: sai o 4-5-1 (sim, pois nem pra mim e nem pro Borges aquilo era 4-4-2) e entra o 3-5-2. Jonas entra no lugar de Henrique, Leandro vai pra ala direita e Ferdinando desce pra zaga. O time literalmente se jogou para o ataque, até que aos 9 do segundo tempo, Leandro é derrubado na área: pênalti que Jonas chama pra si e converte, como quem quisesse, por birra, dar um leve cala-boca na Direção que andou falando de mais, ao não descartar negociá-lo (já se é bom ficar com ele ou não, isso é assunto pra outro post…). Aos 35 Borges girou na área e soltou uma bomba para empatar o jogo. Já aos 38, Maylson virou o jogo em seu primeiro lance em campo.
Apesar da falta de entrosamento e de Silas enfatizar que o time ainda está em pré-temporada, não tem como negar que temos mais qualidade. Aos 3 do primeiro tempo pudemos ter uma prova do que este Grêmio de 2010 poderá fazer quando estiver entrosado. Em uma saída pela esquerda com Fábio Santos a bola rolou fácil pelo meio de campo em triangulações que fizeram os jogadores do Pelotas parecerem jogadores de pino-gol. Com a bola no chão, o Grêmio conseguiu virar o jogo para a direita até que Henrique cruzou para Borges. Infelizmente a bola foi muito alta e nosso 9 não conseguiu concluir.
Jogo encerrado, arrancamos com 3 pontos conquistados com muito suor e alguns sustos. Agora é pensar no Caxias em casa para começar a embalar de vez rumo à conquista do Ruralito, único campeonato que é o melhor do mundo para quem ganha e o pior do mundo para quem perde. Quem sabe é isso que o torne tão interessante…
A pé ou não, SEMPRE COM O GRÊMIO!!!
Campeonato Gaúcho 2010 Taça Fernando Carvalho – 1ª rodada
Pelotas 2 x 3 Grêmio
Local: Estádio Boca do Lobo, em Pelotas (RS) Data: domingo, 17 de janeiro de 2010
Árbitro: Anderson Daronco Assistentes: Altemir Hausmann e Júlio César Santos
Cartões amarelos: Pelotas – Gavião, Dick, Jonathan e Thiago Duarte Grêmio – Réver, Souza, Hugo, Victor, Maylson e Borges
Cartões vermelhos: Pelotas - Dick e Jonathan
Gols: Pelotas - Thiago Duarte (31min/1°T) e Sandro Sotilli (32min/1°T)
Grêmio – Jonas (9min/2°T), Borges (35min/2°T) e Maylson (38min/2°T)
PELOTAS
Jonatas; Dick, Jonas (Jonathan), Bruno Salvador e Diego; Gavião, Jardel, Rodrigo Ribeiro (Michel) e Maycon Sapucaia; Thiago Duarte (Maurinho) e Sandro Sotilli. Técnico: Beto Almeida
GRÊMIO
Victor; Henrique (Jonas), Rafael Marques, Réver e Fábio Santos (Lúcio); Ferdinando, Adilson, Souza e Hugo; Leandro (Maylson) e Borges Técnico: Silas
Via Final Sports