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Mais uma vitória. E mais um susto
Em (Pós-Jogo) por admin em 28-01-2010
Tags : no sufoco, Santa Cruz, vitoria

Hoje vou deixar o pós jogo para nosso amigo e colaborador Rafael Souza que me mandou uma análise bem completa da partida contra o Santa Cruz. Aproveitem!
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Mais uma vitória. Outra vitória de virada, com muitas dificuldades (a maioria se repetindo desde o primeiro jogo), mas num jogo que trouxe ao torcedor do Grêmio muitas novidades, algumas lembranças e uma dose extra de esperança para o restante da competição.
O técnico Silas evidentemente utilizou este jogo para testar suas idéias de formação de equipe no esquema 3-5-2 e logo de início já fui supreendido quando vi a escalação de Joilson, que até o mês passado constava na lista de dispensas. Acho que o restante do time fechou mais ou menos com aquilo que se especulava: Victor; Mario, Maurício e Rafael; Ferdinando, Fernando, Fabio, Joilson e Maylson; Jonas e Borges.
Para fazer justiça com os jogadores do Grêmio, preciso lembrar que o jogo ocorreu no Estádio dos Platanos, num campo aparentemente bem menor que o Olímpico e com gramado irregular. Apesar não ser desculpa para derrota de nenhum time grande, as dimensões do campo dificultam muito quando a equipe adversária resolve se fechar e jogar no contra-ataque, e foi exatamente isso que o Santa Cruz fez. Com esta estratégia, o Santa abriu o placar, mas não resistiu a insistência do Grêmio e sofreu a virada: 1×2.
A defesa do Grêmio, ontem formada por Mario, Mauricio e Rafael, ainda sofre muito com contra-ataques, principalmente aqueles originados de cruzamentos vindos do campo de defesa em direção as laterais. Um pouco deve-se ao mau posicionamento dos zagueiros (que jogam adiantados), mas também a má marcação dos volantes e alas. Nos contra-ataques podemos perceber a linha de zagueiros correndo de um lado para o outro, enquanto os volantes voltam correndo desesperadamente e atrasados. Numa falha de marcação veio o chute de fora da área (um dos vários) e o gol do Santa. Victor falhou miseravelmente. Percebe-se no replay que ele caminhava lentamente quando viu a bola ser chutada, então tentou reagir, mas era tarde… Ele tem crédito. Santa 1 x 0 Grêmio. Outra vez saindo atrás no placar.
A ausência de Souza e Hugo faziam com que o meio utilizasse o armador para cadenciar o jogo e criar jogadas, deixando o ataque bem mais lento, mas permitindo que os alas participassem mais das jogadas. Os volantes Fernando e Ferdinando fazem o feijão com arroz e deixam a bola nos pés de quem tem mais habilidade. Fabio Santos deveria ser um deles, mas erra demais. Joilson, pelo outro lado, foi melhor, mas também é tecnicamente muito fraco e peca no acabamento das jogadas ofensivas. Para cobrir a improdutividade dos alas, Mario Fernandes passou o jogo todo saindo da zaga e agindo como ala. Essa atitude (um pouco irresponsável) atrapalhou o posicionamento do Joilson e deixou brechas enormes na lateral direita defensiva, mas proporcionou a melhor opção de tabelamento com os meias e atacantes. Ao final da partida podíamos ver Joilson trocando passes laterais com a defesa, lá atrás, numa mudança franca e dinâmica de posições com o Mario. E mais tarde, quando Lúcio entrou no jogo, a ala esquerda foi resolvida, num feliz deja vu daquela Libertadores 2007. Com belas arrancadas, cruzamentos e muita disposição. O cara parece que praticamente readquiriu a titularidade no Grêmio.
Sou daqueles que jamais abre mão de um jogador que saiba ver o jogo, pensar e armar com lucidez. Por isso gostei da opção inicial por Maylson, que entre os meias disponíveis é aquele que se parecia mais com um armador. Porém, falta nele a qualidade do último passe e arremate de maior qualidade. Não é atoa que foi substituído pelo ótimo Mythiuê. E este garoto entrou, driblou, movimentou-se por ambos os lados do campo, apoiou os atacantes, cadenciou o jogo procurando por opções e mostrou a habilidade que todos nós queremos no camisa 10 gremista. Este promete!
Ah, o que dizer sobre o ataque do Grêmio… Nele está hoje a admiração que eu tinha sobre a defesa ontem. Jonas passou quase o jogo inteiro esperando por uma bola no pé que não vinha, então acabava voltando até a intermediária para buscar a bola e tentar armar uma jogada. Ele já parece um pouco dependente do apoio de Souza e Hugo. Porém num lance isolado, Jonas armou para si mesmo, deu um chapéu digno de craque no zagueiro, progrediu e marcou um lindo gol. Era o empate: 1×1. Parece que cada vez mais o Grêmio é Jonas e mais dez. Mas para que o ataque fechasse com chave de ouro, Borges, num pivô clássico e repetindo o lance do jogo contra o Pelotas, resolveu a partida girando e batendo forte: 1×2.
Prefiro observar o jogo com o olhar do Silas, ou seja, admirando as opções, analisando a produtividade individual e coletiva. Porém o treinador ainda precisa anotar os erros em negrito, e utilizá-los sabiamento durante um esporro de início de treino, afinal, o Gre-nal vem ai ele não quer repetir Celso Roth, priorizando o amanhã, enquanto o clássico lhe rouba o emprego. O tempo passa e o time sequer tem formação e escalação definidas e ainda há jogadores para estrear. Agiliza a coisa ai, ô Silas…
Pontos positivos individuais: Mythiuê, Lúcio, Jonas e Borges.
Pontos positivos coletivos: o meio campo também funciona com armadores e menos velocidade nas triangulações; o esquema 3-5-2 foi aprovado com pequenas resalvas; alas passaram a apoiar mais.
Pontos negativos individuais: Fábio Santos e… tá bom, Joilson.
Pontos negativos coletivos: a defesa ainda está muito perdida nos contra-ataques; os volantes não participam tanto quanto deveriam; o meio não mostra criatividade na armação.
NOTAS
(relativas exclusivamente a atuação neste jogo, variando de 1 a 10)
Victor: Falhou no gol – 6
Mario Fernandes: Ótimo no apoio, mas neste jogo devia ser zagueiro – 6
Rafael Marques: Discreto, não comprometeu – 6
Mauricio: Também discreto e certamente menos que Léo, bem menos – 5
Fabio Santos: Bem na defesa, muito pouco no ataque – 4
Joilson: Fez seu papel, não comprometeu e foi prejudicado pelo Mario – 6
Lúcio: Velocidade e ataque efetivo pela lateral. Muito melhor que o seu titular – 7
Ferdinando: Um volante qualquer. Mal na marcação – 5
Fernando: Bom volante, simples, mas também displicente na ajuda aos alas e zagueiros – 5
Maylson: Muito bem ao cadenciar o jogo, mas muito mal na armação e na conclusão – 5
Mythiuê: Armou, se movimentou, atacou e me fez esquecer do Maylson – 7
Borges: Fez bem o papel de pivô, perdeu gols fáceis, mas deixou o dele – 8
Jonas: Não foi ajudado pelos meias. Armou para si mesmo e fez um golaço – 8
Rochemback: Jogou pouco tempo – Sem nota.
Silas: Fez o certo, entrou com 3-5-2. Escalou o misto que melhor lhe permitia observar quem pouco jogou e quando percebeu a dificuldade no jogo soube arrumar o time. Manter Jonas e Borges foi uma sábia decisão, pois para estes não há reservas – 9
OBS: Comentar um jogo assistindo pela televisão e com a câmera posicionada quase no alambrado é o fim da picada. Na próxima eu vou a Santa Cruz! ![]()
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Ficha Técnica:
Gauchão
Taça Fernando Carvalho – 4ª rodada
Santa Cruz 1 x 2 Grêmio
SANTA CRUZ
Cássio; Simônio, Ronan (Vinicius) e Glauber; Fabiano, Breno, Willian Paulista, Cleber Oliveira (Adílson), Éder Lazzari e Rigo; Evilásio (Murilo).
Técnico: Tonho Gil
GRÊMIO
Victor; Mário Fernandes, Maurício e Rafael Marques; Joílson, Fernando, Ferdinando, Maylson (Mithyuê) e Fabio Santos (Lúcio); Jonas (Fábio Rochemback) e Borges.
Técnico: Silas
Gols:
Santa Cruz – Evilásio (23min/1ºT)
Grêmio – Jonas (34min/2ºT) e Borges (45min/2ºT)
Cartões Amarelos:
Santa Cruz – Fabiano, Rigo, Breno, Cássio e Vinicius
Grêmio – Victor e Fernando
Árbitro: Jean Pierre Lima
Assistentes: José Franco Filho e Carlos Selbach
Local: Estádio dos Plátanos, em Santa Cruz do Sul
Data: quarta-feira, 27 de janeiro de 2010





