ago
Pedro negou Cristo por três vezes, antes do galo cantar, e por não se considerar merecedor da glória de Deus, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo.
Com juiz do jogo de hoje foi parecido, antes do apito troar pela última vez, ele quase renegou o Grêmio por três vezes, e antes que fosse crucificado pela mídia , por dirigentes e torcedores, talvez sem as honras da cruz em si, ele marcou o pênalti, merecido, conquistado e batalhado pelo Grêmio.
Foi um Gre-nal, onde o favorito Inter perdeu-se na excelente tática e marcação do Grêmio, Damião, outrotora gozando da galardia do bom futebol, desapareceu, como que por milagre seu futebol desapareceu, ou, quiçá, foi anulado pelo excelente Saimon, mistérios do futebol talvez, mas fica a pergunta, o futebol de Damião ressucitará depois de hoje?
Enquanto uns morrem, outros renascem, Marquinhos, de carrinho, num lance de clarividência, num mergulho insâno deslumbrou o único local por onde a bola poderia passar, e ali a encaixou, aaaah era feita a primeira avalanche, aquela massa de gente descendo num único frenesi, a comemoração recorrente da TV, a locupletação dos azuis, o brilho dos celestes, a consagração da emoção pelo gol, aaah a avalanche, que subterfúgios mágicos te fazem descer tão avassaladora e tão bela, a fúria da natureza gemista em uníssono degraus abaixo!
Mas o Inter não se entregaria, ai não, podemos dizer que Índio foi o personagem do Inter, deu a igualdade no placar, mas tratou de, duas vezes, ser o judas da sua torcida, conseguiu na segunda tentativa, um pênalti escandaloso em cima de Escudero.
Escudero, como jogou esse argentino, que mais parece brasileiro, pela sua malemolência. O pequeno Escudero infernizou a zaga rubra, foi pra cima, jogou-se ao ataque como um guepardo ávido por uma antílope colorada, não abocanhou, mas usou-se da estratégia para conseguir o pênalti, deveria ser o primeiro, mas foi o terceiro, porém desta vez o arbitro não negou o Grêmio pela terceira vez, não, dessa vez ele concedeu o penal.
Coube a Douglas, redentor, cobrar e marcar, fez as pazes com a torcida, marcou o seu primeiro em gre-nais, como um apóstolo do bom futebol, foi frio, parecia até displicente, mas marcou o gol que conferiu certa tranquilidade ao Grêmio, e que abriu uma certa exultação de louvor da torcida. A massa celeste novamente, com o coração em plena pureza, atirou-se em correrias degraus abaixo, a última avalanche da noite soterrava as esperanças rubras!
Em tempos de MMA, em que Minotauro estampa o símbolo rubro nas nádegas, foi o Grêmio quem finalizou o Inter! Aaaaah as lutas, a jovial butalidade!










