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Salim Nigri: uma inspiração para as torcidas
Em (Gremismo) por eduleonardi em 02-03-2010
Tags : Grêmio, historia do gremio, salim nigri
Deveria ser uma bela experiência assistir um jogo do Grêmio no Fortim da Baixada em 1946. O entusiasmo do pós-guerra e a equipe comandada por Otto Pedro Bumbel levavam o público a lotar o ground do Moinhos de Vento.
Foi um ano excepcional para o Tricolor. Campeão estadual, da cidade e do torneio-início com os profisisonais, campeão de aspirantes, bicampeão de juvenis, campeão de rendas da temporada e a defesa menos vazada do Estado. Tanto que o Grêmio é considerado o Campeoníssimo daquele ano.
Foi também o ano da criação da figura do Mosqueteiro, que dava nome a uma publicação oficial do Grêmio lançada naquele ano, tendo o seguinte trecho no editorial de sua primeira edição (com a grafia original):
Espêlho do GRÊMIO, seu portavoz e arauto, “MOSQUETEIRO” nasceu para servir o GRÊMIO como o GRÊMIO nasceu para servir aos esportes brasileiros, sem exigir retribuição, apenas confortado pelo aplauso da torcida e com um só apêlo: que os onze mosqueteiros que vestem a camisa tricolor, lutem sem desfalecimento, com confiança e entusiasmo pela causa gremista: COM O GRÊMIO ONDE ESTIVER O GRÊMIO”.
A partir de então, começa a aparecer, entre a torcida, a faixa com esses sábios dizeres: “Com o Grêmio, onde estiver o Grêmio”.

A faixa ao lado da imagem do mosqueteiro, na Baixada, em 1946. (Foto: reprodução da revista Grêmio 70)
A frase é atribuída a Salim Nigri. Foi imortalizada por Lupicínio Rodrigues, que, ao ver a dedicação da torcida gremista em seguir o Grêmio a qualquer custo, usou a sentença em uma música para o cinquentenário do Grêmio, adotada depois como hino do clube. Lupi apenas mexeu na ordem das palavras para encaixar as rimas. Ele tinha autoridade para isso.
Grande gremista, o Nigri. Mas, acima de tudo, um grande exemplo de torcedor de futebol. Tanto que inspirou outras torcidas na forma de expressar seu amor pelo clube do coração, ao dizer que estariam sempre unidos. Pode ser com o famoso “You’ll Never Walk Alone”, do Liverpool, na década de 60; ou, então, com o “Yo te sigo a todas partes, cada vez te quiero más” das hinchadas argentinas. Em Santos, após a aposentadoria de Pelé, apareceu a faixa “Com o Santos onde e como ele estiver”. E, há quatro anos, com um certo atraso, um tal “nada vai nos separar”, que muitos acham original, mas que também segue a ideia do Salim.
Pois neste primeiro dia de março, Salim Nigri faleceu. Mas acredito que ele só partiu depois de garantir que, lá no céu, também poderá acompanhar o Tricolor e colocar sua faixa.




























