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Depois de quatro anos, o Campeonato Gaúcho voltava a ser decidido num Gre-nal. E o último jogo, pela segunda vez em dez anos, era no Olímpico. A prévia vitória de 0×2, no Beira-Rio pelo jogo de ida, deu a total tranquilidade para que 40 mil torcedores viessem de todas as cidades do Rio Grande do Sul para apreciar o “título virtual” que o Grêmio ja tinha em suas mãos e precisava somente confirmar em mais 90 minutos de uma nova vitória, quem sabe.
Porém, mesmo que o adversário seja o time do Fossati, eles são onze homens, onze jogadores de um time que veio de dois péssimos resultados e precisava mostrar alguma reação. De uma forma até organizada, o time do inter conseguiu trazer dificuldades para o Grêmio, pois aos 9 min, com um chute forte (e com a colaboração do Victor) elas abriram o placar. 0×1. A partir daí o nervosismo tomou conta do estádio.
Graças a experiência da maiorira, o nervosismo não se mostrou presente no time, nem mesmo em Neuton. Gostei da atuação do time, pois espremeu o adversário no seu campo de defesa em quase todo o jogo e anulou a aposta do Fossati em jogar no contra-ataque com a velocidade da sua dupla emo de atacantes. Só dava Grêmio! Na marcação, na criação, na finalização, nas chances, no jogo. Porém o gol não saia…
Muitas foram as chances de gol que o Grêmio criou, mas nenhuma tão clara a ponto de nós lamentarmos a derrota. O balanço da final mostrou mais uma vez que o Grêmio é aquele time que joga para vencer quando precisa e até perder quando pode, desde que o destino do caneco seja o Estádio Olímpico. Como na década de 90, sentimos a aflição de uma final complicada, contra um adversário disposto a não perder e querendo arrancar qualquer fatia do título quase certo do tricolor. Tiramos o pó do velho livro de regulamentos que o Grêmio tanto carregou debaixo do braço no seu passado recente.
O apito final foi o som da alegria e do desabafo. Foi a vitória de uma torcida que não desiste, de um grupo de profissionais do futebol que não se contenta em ser coadjuvante, de um treinador que abraçou a preciosa oportunidade com força e resistiu a pressão da imprensa e dos torcedores. Foi a vitória do conjunto! De um time criticado, questionado, desfalcado muitas vezes, mas glorioso por sua própria natureza. Foi o retorno de um Grêmio Foot-ball Porto Alegrense que tanto conhecemos e amamos.
Um ruralito não representa “só um gauchão”, mas também um balde de Red Bull que impulsiona qualquer time a querer o algo a mais. Este grupo de jogadores sabe da necessidade de ganhar uma Copa do Brasil, Sulamericana ou Brasileirão para então fazer parte da história vencedora do Grêmio e dar a este clube um novo episódio para o seu memorial, uma nova página para o livro cuja história nacional e internacional é bem marcada pelo chute épico de Baltazar.
Marcando a união do grupo, cumprimentei Mario Fernandes e Souza, ambos sentados na escadas (sim, no chão!) das cadeiras centrais poucos segundos antes do início da partida. Parei em frente a eles e disse enquanto tirava uma foto: “E ai Mario e Souza, sorte pra nós!”. O nervosismo dos dois era tanto que só conseguiram olhar pra mim e dizer: “Tá beleza! Beleza. Vamo sentar ai galera, tá começando! Vamo! Vamo!”
obs: reparem que ambos me cumprimentam na foto, mas não tiram os olhos do gramado.
Que este seja o primeiro título Gremista de 2010 e que os outros maiores venham logo! Sorte pra nós!






