[ADEUS, OLÍMPICO] Um amor passado entre gerações…
Em (Opinião) por Dreher em 27/11/2012
Este não é um texto de despedida, nem de lamentação. Este é um texto de alegria, de agradecimento ao Estádio Olímpico Monumental, pelos anos que me abrigou, pelas vezes que vibramos juntos e, porque não, pelas vezes que choramos juntos também. Este também é um agradecimento ao meu pai, pois foi pelas suas mãos que pude conhecer a casa do Grêmio.
A minha primeira ida ao Olímpico foi no dia 28 de Outubro de 1989. Foi o meu presente de aniversário de 8 anos. Me lembro daquele dia como se fosse hoje, a emoção que senti ao pisar pela primeira vez na casa do clube que amei desde que nasci, arrebatado por uma paixão passada pelo meu pai, que agora me levava pela primeira vez ao estádio.
Era um sábado de sol e saímos de Montenegro cedo da tarde, em um ônibus da Viação Montenegro. Descemos na rodoviária de Porto Alegre e ali pegamos um taxi rumo ao Monumental. Lembro que fiquei impressionado ao entrar pelo Largo dos Campeões ao ver o Olímpico ali. Até então, um estádio de futebol daquele tamanho só existia no meu imaginário e pela tela da televisão. O Grêmio enfrentaria o Internacional de Limeira, pelo Campeonato Brasileiro. Era um jogo tranquilo, perfeito para a primeira experiência de um guri de 8 anos. Era a época do chamado "Grêmio Show" treinado pelo Cláudio Duarte, que no mês anterior tinha se sagrado campeão da Copa do Brasil. Era um timaço!
Lembro que não dei uma bola para o jogo. Eu tinha um outro motivo para estar ali. Queria ver o meu maior ídolo! MAZZAROPI! Com 8 anos eu não queria ser atacante, queria ser goleiro! Queria ser igual ao Mazzaropi! O estádio não estava cheio e lembro que insisti com o meu pai que queria ver o jogo atrás do gol, para ficar mais perto do Mazzaropi. Depois de muito insistir (sim, eu era chato desde pequeno), convenci meu pai a assistir o segundo tempo atrás da goleira da Carlos Barbosa. Ali me debrucei na mureta junto mais alguns garotos e gritava incansavelmente: "MAZZAROPI! OLHA AQUI MAZZAROPI!". Fiquei gritando por alguns minutos, até que então o Mazzaropi se virou e acenou para mim. Entrei em estado de choque! Saí correndo arquibancada acima gritando "PAI! PAI! O Mazzaropi abanou pra mim!". Eu estava no céu. Fui notado pelo meu maior ídolo. Depois daquilo concordei em sentar novamente no meio do campo, onde vi o Grêmio marcar o segundo gol.
Naquela tarde o Grêmio venceu por 2 x 0, gols de Paulo Egídio e Kita. Lembro muito bem dos gols, mas o resultado era o que menos importava. Eu, aos 8 anos, conheci a casa do Grêmio, vi o Mazzaropi e ele ainda abanou para mim! Foi o presente perfeito!
Esta foi a única vez que meu pai me levou ao estádio. Ele sabia que não precisava mais. Sabia que o amor pelo Grêmio que ele me passou já estava encravado no meu coração. Foi como se ele me dissesse: "Filho, aqui é a casa do Grêmio. Agora tu sabe o caminho. Agora é contigo...". Fui mais algumas vezes ao Olímpico sozinho, mas não com a frequência que eu queria. Me associei em 2005 e acompanhei toda aquela epopéia quase trágica do Grêmio na Série B. Naquele ano meu pai voltou ao Monumental comigo para assistir Grêmio x Santa Cruz, e foi quando eu falei pra ele: "Pai, obrigado por ter me ensinado o caminho. Obrigado por ter me feito gremista. Eu aprendi o caminho... E nunca mais vou esquecer.".
Pois em 2012 o Olímpico nos deixará. Terei que aprender um novo caminho para chegar à nova casa Tricolor. Mas dessa vez, serei eu o responsável por ensinar o caminho da casa do Grêmio para um gurizinho. Dessa vez, ensinarei esse caminho para meu filho. Que ele possa compartilhar desse amor pelo Grêmio, e pelo seu estádio, da mesma forma que eu fiz na "Era Olímpico".
Obrigado pai. Obrigado Grêmio. Obrigado Estádio Olímpico Monumental. Esse é um amor que passará de geração para geração. Que venha a "Era Arena".





Devido a atual conjectura do campeonato, seria exagero de minha parte (e iria contra a minha natureza) não acreditar que ainda é possível uma vaga no G4, mas será que não estou me enganando de novo?
Ok, o Grêmio é o Imortal. Um time capaz de feitos inacreditáveis. Quando tudo parece ir pelo ralo, lá vai o Grêmio e sua força sobrenatural e vira o placar, alcança o resultado que parecia impossível. mas até quando vamos nos basear nos deuses tricolores para
buscar resultados que na verdade não alcançamos por falta um planejamento tecnico e de direção, falta de esforço dos jogadores e, o que ainda é pior, falta de apoio da torcida? Vale a pena lembrar que a última vez que esta imortalidade aconteceu, graças a Deus, foi pra trazer o time da série B na famosa "batalha dos Aflitos" para a série A, o último feito com dramaticidade heróica do Grêmio.
É preciso um pouco mais do que a Imortalidade. Os deuses não conspiram a favor quando alguma coisa está errada.
Na reta final do campeonato, onde está aquela torcida que vibra no estádio? Onde estão os mais de 30 mil torcedores apoiando em todos os jogos? Se continuarem vaiando e corneteando, não terão nem a Libertadores para ir. Mas se o objetivo é se tornar torcida de modinha que só vai ao estádio quando o time está bem, sigam assim. Mas o lugar pra isso não é no Olímpico, o lugar é um pouco mais lá pra zona sul.
Onde está aquele sentimento incondicional de apoio? Aquele que fazia muito abrirem mão de um domingo de sol no litoral pra alentar o time dentro do Olímpico? Aquele sentimento de que cada um faz a diferença pro resultado acontecer?
Parece exagero me irritar com alguns que ficam nas sociais E nas arquibancadas (não posso considerá-los torcedores) chamando quem quer que esteja na casamata de burro, até se for a própria mãe?
Me empolgar com a chegada de um atacante que recebe a camiseta 16, imortalizada pelos gols de Jardel na Libertadores de 95?
Acreditar quando vejo meu time não perder uma partida em casa há mais de um ano?
Assim como muitos torcedores, eu esperava muito mais do Grêmio neste ano. Esperava que já estivessemos com a posição no G4 assegurada, ainda mais com a chegada do Autuori , mas estariamos nós com um técnico de muita estratégia e pouco pulso no vestiário?
De qualquer forma, eu comprei a idéia que me venderam. No entanto, o filme ainda não acabou.
Ainda dá pra mudar o final que está se aproximando, mas tem que começar agora. Não dá mais pra esperar.
Te sigo aonde for.