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Mussolini e o Grêmio
Em (Conselho Deliberativo, Corneta, Política Gremista) por admin em 26-08-2009
Tags : claúsula de barreira, corporativismo

Mussolini
Quem ainda se lembra das aulas de História Geral no colégio ou é fissurado na programação do History Channel deve saber quem foi esta pessoa. O “Duce” Benito Mussolini governou a Itália de 1922 a 1945 e implementou um regime conhecido internacionalmente chamado Fascismo. O Fascismo nada mais era do que um regime totalitário e ditatorial onde o Estado prevalecia sobre os indivíduos. Seu símbolo era um machado com o cabo rodeado de varas representando o poder do Estado e a unidade do povo. No Brasil houve uma vertente da doutrina fascista no Estado Novo do Dr. Getúlio (claro que isso era bom pra colocar a gurizada no cabresto, pois nosso país pra dar certo, só assim ou nascendo de novo).
Mas eu queria mesmo era me focar no que o Fascismo fez “de melhor”. Dentro desta doutrina fascista, haviam grupos que representavam diferentes interesses. Estes grupos não necessariamente concordavam com tudo. Porém, eles tinham poder e influência o suficiente para estar lá. Assim, gerou-se uma máquina de administração onde estes grupos legislavam sobre as leis e os direitos de cada um no país, ao passo em que o povo não podia dar pitaco em nada. Esse movimento político se auto sustentava e, a partir dele, buscava-se eliminar as lutas de classes colocando-as dentro da discussão para atenuar as divergências em prol do Estado.
Então, graças ao tal do Mussolini e sua doutrina fascista, criou-se o Corporativismo. Não que ele seja ruim. A ideia em si, na teoria, é boa. O problema é que como os seres humanos têm uma imaginação muito fértil, essa ideia de agregar as diferentes classes para atenuar as divergências acabou se transformando em “vamos colocá-los dentro do nosso grupinho para eles pararem de incomodar”. E assim, se criaram várias instituições falidas no sentido administrativo, uma vez que as divergências eram abafadas com pequenos favores políticos. Até mesmo nos momentos de crise, estes grupos se ajudam, se suportam, criam alianças para sustentar seu modelo de gestão (independente de o modelo ser efetivo ou não).
É nessas horas que me questiono se o Conselho Deliberativo do NOSSO Grêmio não seria mais um destes grupos corporativistas. O maior exemplo é a votação pela redução da Cláusula de Barreira para 20%. Pro torcedor em geral que se preocupa em somente apoiar o time, isso pode gerar revolta, frustração ou quem sabe ele nem se preocupe com essa “papagaiada” toda. Mas para o torcedor que põe religiosamente todo mês uma parte do seu dinheiro na “caixinha” do clube – e que em sociedades recreativas e agremiações em geral são conhecidos como SÓCIOS – a frustração é ainda maior. Principalmente àqueles que querem ajudar o clube e não conseguem e veem os “nobres” conselheiros boicotarem uma reunião de tamanha importância.
Isto por si só reforça a ideia de que, atualmente temos um CD corporativista que visa se proteger das manifestações dos sócios boicotando reuniões onde se tomariam decisões super importantes como a própria redução da Cláusula de Barreira. É óbvio que seu objetivo é calar os movimentos políticos que podem vir a aparecer trazendo ideias de renovação. Já faz um bom tempo que precisamos de sangue novo no CD. Parafraseando Mussolini, a ordem hoje no CD deve ser: “Tudo no CD, nada fora do CD, nada contra o CD”. Mesmo sendo uma sociedade recreativa com mais de 50 mil sócios com direitos garantidos por Estatuto, o CD em sua maioria adota uma postura rasteira, mesquinha e ditatorial para se proteger de novas ideias vindas destes mais de 50 mil sócios. Isso deve ser o medo de perder a “carteirinha de Conselheiro” para alguem que realmente tem algum valor a agregar ao clube.
Pra não dizerem que eu só bati nos outros, quero deixar um agradecimento a todos os conselheiros que defendem e lutam pela redução da Cláusula de Barreira, independente dos movimentos políticos que façam parte. Esses sim sabem que mudança é sempre necessária e benéfica não só para o Grêmio mas para qualquer instituição.
A pé ou não, SEMPRE COM O GRÊMIO!





