Hoje temos a participação especial da nossa dupla corneteira "Doutrinador & Conselheiro", fazendo sua análise sarcástica, trágica, cômica e ácida do jogo de ontem.
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Pois é. Tudo levando a crer que iniciar uma coluna comentando o jogo do Grêmio contra o lanterna do campeonato, pra entrar com o pé direito no Azul, Preto e Branco, seria alvissareiro – afinal, esperava-se a retomada de uma trajetória de vitórias necessárias até para a manutenção dos componentes de direção de futebol e comissão técnica no clube.
MAS... lembram-se do ditado de Aparício Torelly, nobiliarquicamente conhecido como do “Barão de Itararé”? Era assim: “daonde não se espera nada, dali mesmo é que não sai nada”. Os subscritores desse texto foram ao Olímpico, com o frio aflorando pelos corredores e escadas do terreno sagrado, e viram o espetáculo dantesco que foi esse Grêmio 2 x 2 Hawaii. Tchê, perder pro Gallo não dá! Nesse sentido, faz muito mais sentido escrever uma coluna da corneta do que uma simples e trivial análise técnica do jogo.
É preciso ressaltar algumas coisas preocupantes nesse cenário: alguns dos valores coletivos que funcionaram muito bem no ano passado simplesmente sumiram – as bolas paradas e jogadas ensaiadas. Atualmente, não se vê mais as entradas e saídas freqüentes e as trocas de posicionamento que eram tônica nas jogadas de escanteio – mas sim apenas o Douglas ou o Rochemback batendo bolas para dentro da área sem noção nenhuma. Os laterais estão pífios – com a honrosa exceção de Mario Fernandes, que era improvisado na função mas tinha o ímpeto necessário suficiente para ultrapassar seus marcadores. Nem Gabriel, Lucio, Neuton ou Bruno Collaço tem essa virtude (este último ainda tem a ressalva de estar retornando de lesão), mesmo sendo considerados jogadores de classe quase que incontestável.
Quanto ao nosso ataque, nem precisamos falar. Lins e Viçosa devem fazer um curso no SENAI para salvar sua sobrevivência financeira (dizem que tem bons cursos por lá – azulejista, fazedor de rodapés, funções específicas para as quais talvez eles sejam melhores talhados). Leandro ainda é insuficiente fisicamente, apesar de ter virtudes (apareceu por ser novidade; quando os adversários viram qual era a sua principal jogada, já sabem como marcá-lo e pronto). A lesão de André Lima deixou-o com a conformação física de um carro sedan – e precisa muito entrar em forma física para jogar a um nível aceitável. Miralles ainda é uma incógnita, embora tenha aparecido bem.
O meio-campo... bem, temos uma renca de volantes. Quase todos insuficientes. Se somarmos Adilson, Fernando, William Magrão e trocarmos por um saco de mandolate de Maquiné teremos a impressão de estarmos lesando alguém. Fábio Rochemback entrou em forma, finalmente, mas uma andorinha só não faz verão (talvez ele entenda melhor falando “um galo só não ganha a rinha”). Douglas... bem, Douglas é um caso à parte. Para aqueles que imaginam que na década de 60 ele se daria bem por ter um futebol mais clássico, lembramos que o técnico do Grêmio em boa parte desse período era o mestre Osvaldo Rolla... que, visionariamente, já exigia condicionamento físico e disciplina tática como valores fundamentais – o que nosso Maestro doga10 não tem tido muito ultimamente. Já na zaga, nem pensar o que falar: quando Rafael Marques, o topo gigio do Olímpico, é considerado dispensável logo antes do campeonato brasileiro iniciar e agora é considerado titular absoluto, “cascudo”, fazendo gol e mandando a torcida calar a boca, se vai a vaca com corda e tudo pro brejo.
Essa pequena análise só é feita pra ressaltar o seguinte: carece-se de mudanças estruturais. Não só os jogadores, mas sim de discurso. Acreditar na imortalidade como solução para os problemas, valorizar a entrega dos jogadores num resultado pífio ou dizer que está tudo bem não dá pra querer. É como permanentemente estar cobiçando a Ellen Roche e acabar com a Regina Casé (mas ainda não chegamos ao ponto de estarmos com a Wilza Carla. Ainda.).
Isto posto, uma pequena avaliação dos jogadores de hoje:
Marcelo Grohe: nosso motorista de Kombi predileto teve uma boa atuação, mas ressalte-se que o primeiro gol acabou sendo numa falha coletiva que contou com sua participação. Entretanto, salvou no mínimo três gols de contra-ataque do Hawaii, o que o coloca no rol de jogadores que obtiveram bom desempenho no jogo,
Gabriel: poderia ter aproveitado a bandagem que colocou na cabeça pra se enrolar no corpo inteiro e justificar sua presença de múmia dentro de campo. Se quiser ser chinelinho, que volte pra Turquia, Grécia, Chipre ou pro Cazaquistão.
Mário Fernandes: a cabeçada que originou o primeiro gol surgiu na sua zona de marcação, e entregou uma bola em que o Batista (do Hawaii, não o comentarista) quase fez o segundo. De resto, fez algumas boas intervenções nos seguidos contra-ataques do time açoriano.
Rafael Marques: seguinte, meu caro zagueiro... o SBT seguidamente faz umas reapresentações do Chaves. Porque tu não monta um projeto piloto pra trazer de volta o Topo Gigio? Tu ia te dar bem melhor do que no Grêmio! Garantimos que nós iríamos assistir todos os episódios, só pra ter certeza que tu continuaria por lá...
Bruno Collaço: é o típico jogador que obriga o Grêmio a não fazer uma camisa inteiramente celeste – porque senão vamos achar que estamos jogando com um dos irmãos Smurf em campo. No primeiro tempo foi relativamente bem, mas sentiu a desembocadura de tanto tempo lesionado.
Fábio Rochemback: visivemente abalado pela busca e apreensão do material do seu esporte predileto (seus galinhos de rinha), errou vários passes. Perdeu fundamentalmente a bola que originou o segundo gol dentro da área do Grêmio. Depois, quando o time foi para o abafa, segurou a primeira linha dos contra-ataques.
William Magrão: meu caro, só temos uma coisa para te indicar: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/sinepoa/default.php?p_secao=5. É o site do SINE em Porto Alegre. Aproveita, tem boas ofertas de vagas para outras funções que não a de volante do Grêmio.
Lúcio: sentimos que ele está abatido, sem vontade ou lugar no time atual. Isso é relativamente natural em indivíduos que não são acostumados com esse clima frio que se vive nessas semanas. Seguinte: o Grêmio tem diversas funções em que há necessidade de mão de obra dentro do clube em todas as suas áreas. Talvez, para aplacar essa carência, poderia sugerir-se que ele se junte aos demais conterrâneos na construção da Arena e deixe a camisa 11 para outro qualquer.
Douglas: GRANDE armador de contra-ataques. Só tem que combinar com ele para armar contra-ataques para os que jogam com a camisa azul, preto e branco. Vê-se que tem treinado muito a jogada do field goal – só tem que combinar com a FIFA agora para jogarmos com as traves em Y, como no futebol americano, ao invés de jogarmos com essas traves cravadas no chão... agora, expulsão? PQP! Tem que ser vendido pra segunda divisão da Coréia do Norte pra ver se aprende a jogar rapidinho.
Leandro: é junior ainda. Sua constituição física não agüenta o tranco – e dá demonstrações que seu único recurso é a velocidade, sem ter vitória pessoal.
André Lima: outro que se ressente do longo tempo parado. Habilidade não é seu valor principal, mas hoje chegou atrasado em praticamente todas as bolas e não conseguiu fazer as paredes para tabelas (coisa que é de sua formação habitual).
Entraram ainda:
Escudero: mesmo não jogando tudo o que se espera dele, foi muito melhor do que Lúcio. Isto é, ser melhor do que um cone não é um mérito especial... cavou o pênalti e a falta que originou o segundo gol.
Miralles: a grande surpresa. Quando foi correr atrás do jogador que iria bater o escanteio para tabelar, envergonhou meio time do Grêmio – que começou a correr junto e partiu (finalmente) pro abafa. Só temos o medo de saber como ele jogaria em dias de chuva – preocupar-se-á com sua chapinha?
Roberson: quem? Ah... bom, se o futebol fosse como o basquete – esporte em que é possível trocar jogadores a toda hora e em cada lance – ele seria um jogador bastante útil. Até hoje só fez gol de cabeça e em escanteio (incluindo um que praticamente matou metade da torcida gremista no território brasileiro).
Detalhe: se tivemos um gol mal anulado, também cometemos um pênalti (Mário Fernandes, ao cortar a bola com a mão) e deveríamos ter mais um jogador expulso (Fábio Rochemback, por falta). Nossa análise é de que o juiz foi ruim pros dois lados, mas talvez o mais lesado seja ainda o Hawaii.
Finalizando: o momento é tão desesperador que tem torcedor achando que a causa dos problemas é a ausência do Adílson no time. Só jogando esses caras pel.ados no Guaíba num dia como esse pra ver se esses malucos saem do transe. E, por falar em banho gelado no inverno: apostamos que tem muita gente que toparia isso tranquilo a ver um dos três cavaleiros do apocalipse especulados (Roth, Cuca e Adílson) na casamata. Bobeia até fio desencapado no saco seria menos doloroso...
Se deixarem, escrevemos de novo. Até!
Doutrinador & Conselheiro
(Doutrinador & Conselheiro são dois sócios que há muito assistem os jogos do Grêmio em parceria, sempre com uma visão sui generis sobre os fatos do futebol).