Autuori: uma análise realista

Em (Corneta, Destaque, Gestão do clube, Notícias na Rede) por admin em 11-11-2009

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Fato consumado e ratificado: Autuori não é mais técnico do Grêmio. Rospide comandará o time até o final do Brasileirão.

Após o post de ontem comecei a dar uma refletida em relação à “Era Autuori”. Tentei juntar alguns fatos em relação ao seu “reinado” no Grêmio e todas as circunstâncias que o trouxeram pro Olímpico e, que agora, o levaram de volta para o Qatar. Analisando de maneira realista todo o tempo do cara pras bandas de cá, cheguei às seguintes conclusões:

Espera muito longa
Passar quase 2 meses sem técnico em meio a uma Libertadores foi uma falha MUITO GRAVE da Direção. Tudo bem que o Roth empilhou derrotas em GREnais, a torcida não ia com a cara dele e talicoisa. Mas, vamos reconhecer que o Juarez estava indo bem na LA com aquele time. Demiti-lo e colocar toda a responsabilidade sobre as costas do Rospide não foi uma boa, embora o próprio Rospide tenha segurado o rojão numa boa. Mesmo assim, faltou convicção à Direção para manter o Juarez pelo menos até terminar a participação do Grêmio na LA.

Conceitos: muito bons e muito ruins
Que Autuori realmente entende de futebol todos sabem. Seu currículo acusa isso. Porém, há um problema: seus conceitos. Sim, são ótimos conceitos, dignos de quem tem uma visão privilegiada de jogo. Seus times são mais ofensivos, têm um aproveitamento muito bom no ataque e um sistema defensivo sólido, tirando o melhor do esquema 4-4-2. O problema foi o time dado para ele treinar. Calma, não estou dizendo que nosso time é ruim; é apenas um time acostumado a um sistema de jogo diferente que utilizava o tão rejeitado 3-5-2. Time do Juarez, montado para o esquema de jogo do Juarez. Autuori falhou ao impor seu conceito de futebol ao invés de tentar implantar algo mais flexível. Ele mesmo jogou as primeiras partidas no 3-5-2 e o time estava jogando encaixado, tinha a famigerada mecânica de jogo. Vide exemplo do próprio Juarez: pegou o Atlético-MG que tem um time com mais potencial ofensivo e o colocou a jogar no 4-3-3 contra o Grêmio. Autuori pecou em confiar mais em seus conceitos do que no ambiente que o cercava.

Se o time é meia boca, tem que ter raça
Todos sabemos que nosso plantel não é um super time (salvo excessões como Maxi, Victor e Mário na minha opinião). Esta limitação técnica até certo ponto compromete a implantação de modelos de jogo mais complexos, onde se trabalha mais a bola. Voltando novamente à questão dos conceitos, faltou sensibilidade na hora de montar o sistema de jogo. Jogadores acostumados a fazerem parte do elenco mais faltoso do campeonato mas que eram extremamente eficientes, começaram a jogar um futebol mais cadenciado, mais jogado, menos faltoso. Bem, não faltaram lances em que a bola mordeu nossos jogadores. Ao contrário do que ele disse ao estabelecer uma relação jogador que faz faltas é preguiçoso, Autuori jogou um banho de água fria nos jogadores acostumados a colocar o coração na ponta da chuteira e entrar rasgando em tudo que era dividida. A raça foi embora e a animação da torcida também.

Só tivemos uma campanha digna de campeão dentro de casa neste ano porque a TORCIDA que é de fato o 12º jogador do Grêmio fez os resultados a fórceps empurrando o time para frente nos 90 minutos. No entanto, fora de casa e sem a torcida empurrando, o arremedo de raça que o time demonstrava no Olímpico ia para a churupita. O resultado, todos nós vimos.

Gestão do Futebol
Ótima sacada de Autuori. Em um clube onde o Diretor de Futebol “evidentemente” entende de tudo menos de futebol, Autuori resolveu assumir a responsabilidade e implantar um modelo de gestão da base para formar garotos realmente bons para assumir vagas no time profissional, bem como em outros times. Trouxe seu auxiliar Edson Aguiar para a coordenação técnica da gurizada comandada pelo Paulo Deitos. Ele, Autuori, tinha carta branca da Direção para dar pitacos em tudo que dizia respeito a jogadores, mercado, etc. Quem sabe, todo este poder tivesse sido dado para suprir alguma carência dentro do clube. Tudo isto é muito legal mas tem um risco. Saindo Autuori, saem todos seus auxiliares. Daí a coisa pode complicar pois, apesar de ficar o planejamento, as ações não serão mais as mesmas. Ações diferentes, sem garantias de resultados satisfatórios.

Proposta indecente e oportuna
Receber salários generosos em “petromoedas” faz qualquer cristão fazer reverência para Alá. Fato. Ainda mais quando os salários chegam na casa dos R$ 700 mil  mensais. Depois de tudo que aconteceu acima, ele deve ter pensado: “bom, vim pra cá fazer meu trabalho e a torcida não para de pegar no meu pé. Todo dia é uma pressão diferente nessa cidade com trânsito caótico e ruas esburacadas. não tenho os jogadores que eu quero pra fazer o time andar. tudo mentalidade perdedora… Vou me mandar daqui!!!”

No fim das contas, acabo me dando conta de que Autuori é um cara com estrela, diferenciado. Que outro técnico conseguiria sair pela porta da frente em um momento de turbulência e atrito com a torcida como ele já estava começando a ter? Ainda mais com todas as vantagens que ele e a família dele terão! Se fosse eu, já teria me mandado também!

Por que acreditava em Autuori
Eu acreditava que poderia dar certo todo o trabalho do Autuori. Só lhe faltava condições. Que o time não tivesse aquela pegada castelhana, mas que soubesse jogar bola. Acreditei no seu projeto de gestão do futebol, vi conceitos muito bem fundamentados. Mas vi também falta de suporte por parte da Direção. Não conseguir trazer Leandro, se embananar para trazer o Renato Cajá que mal chegou e é capaz de já ir embora, não se dar conta de que time completo tem um lateral direito de ofício, enfim… pequenas ações que poderiam ter feito a diferença. Quem sabe, se tivesse ganho todas as peças de que precisava não teríamos tido um resultado mais efetivo?

Não vão faltar teorias conspiratórias, acusações, desculpas mas uma coisa é certa: pra um técnico deste gabarito balançar com a primeira proposta que surge contrariando seu discurso de que ele não estava mais pelo dinheiro mas pelo desafio, pode não ser apenas por falta de comprometimento. Mesmo assim, o romance acabou. Precocemente, mas acabou. Ainda bem que não deu tempo de virar casamento se não seria difícil terminar depois.

A única coisa que ficou disso tudo foi que o técnico era ótimo, os conceitos eram ótimos, o planejamento era ótimo. Já os resultados, estes foram pífios. Por ironia do destino ou culpa de sei-lá-quem-foi, a “Era Autuori” não passou de um engodo do tamanho da estratosfera.

Esperaremos um novo técnico agora. Teremos o nosso grande Marcelo “O Coringa” Rospide nos comandando até o fim do campeonato. Só queria deixar um recado para Meira e cia: quando contratarem o próximo técnico, contratem alguém com o compromisso de vencer. Menos discurso retórico e mais ação daqui pra frente!

A pé ou não, SEMPRE COM O GRÊMIO!!!

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