Seria a volta do 3-5-2?

Em (Opinião) por admin em 26-01-2010

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Recebi este texto do meu colega de serviço e amigo Rafael Souza com uma análise bem interessante sobre o Grêmio neste início de Gauchão. Como ainda não passou uma semana do jogo contra o Caxias, acredito que ainda valha a pena o comentário. Aproveitem a leitura!

Paixão 3 x 2 Caxias

Contra o Caxias eu vi o time do Paulo Paixão vencer com muita dificuldade. Digo isso porque, a velocidade e disposição foram as principais virtudes, aliadas a ajuda da defesa adversária duas vezes. Este último fato nos permite acreditar que não há fluência no time. Não há aplicação tática, nem organização ofensiva, nem consistência defensiva. Tudo é reflexo do pouco tempo de treinamento, mudança recente no comando e na escalação. Em dois jogos eu vi um Grêmio 90% Paixão e 10% Silas. Mas esta balança tende a equilibrar-se aos poucos.

O que me surpreendeu muito foi o uso de somente um volante. Coisa rara (e assustadora) de se ver. Contudo, o ataque acabou cobrindo a fragilidade defensiva e, como se fosse uma pelada de fim de semana, o importante foi fazer mais gols que o adversário antes do apito final, mesmo que alguns aconteçam “meio sem querer”. Não me agradou.

Desde o jogo contra o Pelotas que eu percebo no Grêmio a facilidade (já presente em 2009) em sair jogando da defesa para o ataque, mas quando a bola chega na intermediária, hoje, tudo fica mais complicado. Hugo, Souza, Leandro, Jonas, Borges, Maylson… Todos são jogadores de qualidade indiscutível e efetividade impressionante, mas não há entre os jogadores titulares um armador, um organizador, aquele jogador capaz de cadenciar o jogo e mudar o rumo previsível da bola. Até então Tcheco vinha fazendo este papel e acredito que Douglas o fará em breve.

Por isso, não enxergo com o mesmo entusiasmo a parceria, velocidade e habilidade dos jogadores de frente por enquanto. Toda vez que a bola chega nos pés deles, a dinâmica parece a mesma de um jogo de futebol de salão: toca, gira, toca, gira, até abrir algum espaço para a progressão. Porém, no salão o espaço é mínimo e a estratégia “tentativa e erro” talvez seja a melhor, pois a bola não pode parar um segundo no pé de um jogador no campo de ataque devido a pressão. No futebol 11, isso funciona muito bem quando a defesa adversária é fraca ou lenta, e quando a qualidade do time não permite prender a bola no ataque. Nos demais casos sempre é bom que um cara inteligente esteja lá para definir o rumo da jogada e controlar a posse de bola, principalmente quando o jogo requer paciência. Os exemplos de sucesso estão por toda a parte: Riquelme, Conca, Petkovic, Danilo, Cleiton Xavier, Tcheco e Douglas.

Não, Hugo não serve. Ele é um meia atacante, não armador/organizador. Podemos compará-lo com Diego Souza, que foi um dos melhores em 2009, mas cujo time sentiu muito a falta de Cleiton Xavier, quando este lesionou-se. Falta massa cinzenta no nosso futebol!

Hoje o 3-5-2 me parece o esquema mais sensato, já que sobram meias e faltam laterais de origem. Se o Silas utilizar dois volantes, tudo pode se encaixar depois de alguns treinamentos. Contudo, sabemos que o 4-4-2 traz maior equilíbrio a qualquer time, quando bons laterais estão presentes, mas colocará no banco ótimos jogadores de meio campo. São estes os eternos dilemas de um técnico bem servido.

Parece que 2010 começa promissor para o ‘amado’ Meira também, hein!? O foco já está quase todo sobre o Silas e muito pouco na(s) carência(s) do grupo.

Este é o momento para Silas esquecer os jornalistas e lembra que por estas bandas não há futebol arte! Um time equilibrado deve prevalecer sobre um colorido ataque cheio de nomes. E se você, torcedor, quiser sentir um pouco da aflição do novo comandante gremista, monte o seu próprio time e entenda qual é a sensação de não saber com qual brinquedo você vai brincar primeiro.

Sirva-se!

3-5-2: Victor; Mario, Rever e Rafael M; Adilson, Ferdinando, Souza, Hugo e Douglas; Jonas e Borges.

4-4-2: Victor; Mario, Rever, Rafael M e Lúcio; Adilson, Ferdinando, Souza e Hugo; Jonas e Borges.

4-5-1: Victor; Mario, Rever, Rafael M e Lúcio; Adilson, Ferdinando, Souza, Hugo e Douglas; Borges(Jonas).

Não esqueçam de Leandro, Henrique, William, Maylson, Mithiue, Magrão, Rochemback…

Trabalho duro, errado e suas consequências

Em (Gestão do clube, Opinião) por Valdo em 03-11-2009

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E domingo, dia 1º de novembro de 2009 o Grêmio entrou em campo contra o Santo André (vulgo Marcelinho e mais dez), e mais uma vez, outra vez, de novo, novamente, ocorreu o de costume quando o jogo é fora – PERDEMOS. Até aqui, nesse ponto, não há novidade – a novidade vem nas circunstâncias – Circunstâncias essas que não importam aqui, pois são pontuais, e não representam o bolo de merda que essa situação representa.
Cada maldito jogo que jogamos fora de casa perdemos. Cada jogo dentro de casa, ganhamos. Ponto – Simples assim. NÃO, Nada pode ser tão simples assim. Não acredito que um clube do nível do Grêmio passe por um campeonato de 8 meses, sem ter a capacidade de vencer longe de casa, ainda mais tendo feito a excelente campanha dentro de casa que fez.
Olhando friamente não podemos dizer que está tudo errado, pois vencemos várias adversários dentro de casa, e vencemos com autoridade – o que deixa no ar uma dúvida maior ainda. Será isso uma conspiração interna ou externa ? Fox Mulder estava certo? Vamos por partes:

  • Comissão técnica – Pode não ter o “perfil” que a torcida quer de treinador (me peguei com um olhar perdido imaginando a época que tinhamos o Felipão xingando até a avó do lateral que deixou de cobrir o lado de campo), porém o cara organizou muito o bem o time para os jogos dentro de casa – será ele o único ou apenas um dos culpados, ou não passa por ele? Esse perfil dá certo no Grêmio, ou foi uma má avaliação achar que um cara que sabe muito de futebol, mas que não tem o “estilo gremista” daria certo ?
  • Grupo – Aqui vem a principal crítica – Não criem expectativa na torcida por algo que vocês não possam cumprir. É lamentável ver uma direção vender “caviar” e termos  que nos banquetear com sardinha. Indo mais longe ainda, quando tivemos o dinheiro, gastamos mal, aliás, muito mal. De todos os jogadores comprados/contratados esse ano, contamos nos dedos o que deram realmente certo e temos uma lista gigante daqueles que não funcionaram. EXPLICAÇÃO – gastaram muito e gastaram mal (ou alguem acha que Gastar mais de 2,7 milhões de Euros por um jogador de 30 anos que dificilmente será vendido para o exterior é certo) ? Que não termos agora 1,5 milhões de euros pelo único jogador que corre de verdade no ataque é normal ?
  • Direção – Concorcando que temos que administrar o clube e as dívidas herdadas, concordando que tenhamos um planejamento de médio e longo prazo, considero essa parte o nosso maior trunfo nesse ano e DEU, PARA por aí. O resto, o que se viu foi uma direção que fez alguma coisa sim, mas com TONELADAS DE DECISÕES ERRADAS, e que se esconde atrás de um planejamento para desculpar essas PÉSSIMAS escolhas e decisões tomadas decorrer do ano. Indo mais fundo nas decisões erradas – é inegável que tentaram-se algumas coisas no decorrer do ano, porém as decisões FORAM TOMADAS DE FORMA ERRADA – Decidiu-se pela prioridade na hora errada, decidiu-se pelo jogador errado, pelo contrato errado – Concluo – o que faz a diferença entre uma direção que “deu certo” de uma que “não deu certo” ? As decisões tomadas e não a falta de trabalho. Essa direção trabalhou sim, e arrisco a dizer que muito, mas de forma errada e tomando decisões erradas (gastar 800 mil dólares por um jogador que não era convicção, insistir em um planejamento jogando fora uma libertadores, um gauchão e finalmente um Brasileiro – que está caindo de maduro).

Respondendo ao início do Post – não não existe teoria da conspiração. Não, Fox Mulder não estava certo – o que existe é que um grupo de pessoas que tomam as decisões no nosso time, tomaram as decisões erradas: sobre treinador (ou em relação ao antigo ou em relação ao atual ou em relação aos dois), sobre jogadores (Jadilson, Caja, Herrera, Marcelinho Paraiba, Gilberto, Rafael Carioca, etc), sobre as prioridades, sobre os torneios, sobre a política tricolor – enfim, o que faltou não foi trabalho, isso tivemos de sobra – trabalho duro, porém errado – e agora que lidemos com suas conseqüências.

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