[especial] A globalização do Futebol Brasileiro

Em (Marketing, Opinião) por Valdo em 14-11-2011

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Quase tudo que fazemos nas nossas vidas, é fruto da visão e do pioneirismo de alguém. Ser pioneiro no mundo esportivo, e principalmente no futebol, é tão importante quanto formar excelente jogadores para montar boas equipes, conquistar títulos e possivelmente faturar com esses resultados. Ser visionário no futebol brasileiro, vai muito além de entregar a camiseta do time para algum político internacional ou cantor de renome mundial que vem fazer um show qualquer na nossa província, mas com raras exceções entende de futebol, muito menos sabe quem somos ou que existíamos. O problema é que isso dá “Ibope”, muito mais ao fulano de tal que entregou a camisa do time ao cantor aquele. Pessoas que muitas vezes utilizam da imagem de um clube para se auto promover, uma vez que, na grande maioria dos casos, o ganho real para o clube de “tal façanha” é uma flauta nos tradicionais rivais, e umas meras linhas de exposição na mídia local, e talvez alguma coisa na mídia nacional, mas muito pouca ou quase nula exposição na mídia mundial, que é a que nos interessa, e o que eu vou tentar detalhar abaixo.

 

Alguém sabe explicar o fato da seleção Brasileira ser adorada mundialmente em um de cada três países, mas ao mesmo tempo, os mesmos “estrangeiros” que adoram nossa seleção e os nossos craques não sabem quem são os nossos grandes clubes, muito menos o que representa uma rivalidade GreNal? Nossos times no Brasil não trabalham a imagem própria e dos nossos craques no exterior, salvo raras exceções, como o bom trabalho pioneiro que vem fazendo o pessoal da Vila Belmiro com a maior promessa do futebol brasileiro para ganhar a Copa de 2014. A grande maioria dos nossos craques ganha exposição quando vai jogar fora do país, e tem sua imagem “explorada” da melhor maneira pelo seu novo clube. Um dos nossos problemas é a falta de qualificação profissional no comando dos nossos clubes; esbarramos na falta de administradores do futebol, visionários, capazes de romper a barreira da saturação mercadológica local na busca da consolidação dos nossos clubes e das nossas marcas no exterior. O mercado brasileiro está perto de uma saturação. Pesquisas sobre os números de torcedores vem sido feitas há mais de duas décadas, e os percentuais de torcedores para cada time raramente variam, mesmo que exista um crescimento no número de torcedores, decorrente do crescimento natural do país. Agora, alguém se preocupa em saber qual o time brasileiro de maior reconhecimento e torcida no mercado norte-americano ou asiático? Mercados onde os números de torcedores locais que elegem a nossa seleção Brasileira como seus segundo time chega em alguns casos aos incríveis 80%, como ocorre no México. Alguém se preocupa em divulgar nossos times nesses mercados ou explorar a captação de novos “torcedores” ou simpatizantes de nosso times? O investimento só terá retorno se for focado no cliente, e a nosso foco tem que ser os amantes do futebol brasileiro espalhados pelo mundo que não possuem ou simpatizam com algum clube de futebol no Brasil.

 

No caso do nosso Grêmio, meu clube de coração, o qual acompanho o dia-a-dia mesmo que a distância, sempre buscando colaborar apresentando oportunidades para a romper a barreira local, e globalizar de vez nosso time, não consigo encontrar explicação para tanto descaso com os mercados do Oriente Médio, da Ásia e da América do Norte, que não param de crescer no quesito interesse por futebol. Oportunidades não faltaram, projetos foram apresentados, chances foram desperdiçadas, desde a época do Zento e do Paiva no comando do Marketing do Grêmio, já cansamos de apresentar propostas e não obter retorno. Quando o Barcelona foi pioneiro e lançou seu canal com conteúdo exclusivo para o Youtube, negociamos os direitos para os canais de mais de 20 equipes latino americanas. Alguns projetos foram aceitos, e os direitos repassados ao clubes que tiveram interesse no projeto. No Brasil, nada foi feito. No Grêmio, achavam “uma barbaridade” gastar dinheiro com isso e uma perda de tempo, afinal quem iria assistir a GrêmioTV no Youtube. O passar dos anos veio a provar quem tinha razão, quem foi pioneiro e ousado. Os direitos dos canais nos ainda os temos, mas já fazem muitos anos que cansamos de bater na porta de gente que não se preocupa com algo que não lhe dará retorno pessoal. Vou além disso, não faz muito tempo deixamos um projeto na mesa, com o interesse de uma empresa líder mundial na distribuição e comercialização de artigos de futebol, com a intenção de abrir uma loja virtual do Grêmio, com entrega de produtos oficiais do clube em qualquer lugar do mundo em menos de 96 horas (utilizando a vasta rede de distribuição que a empresa já possui). Custo para o clube: zero; a empresa bancava os custos de criação e marketing em troca do direito de comercializar os produtos do Grêmio no exterior. O projeto parou aí, já que houve interesse, mas não houve retorno, além de que o Grêmio assinou com uma marca local de material esportivo, o que também veio a facilitar a decisão da empresa em não esperar mais um tempo por um resposta, que até hoje, mesmo assim, não veio.

Mais recentemente, surgiu a oportunidade do Grêmio em vir fazer a pré-temporada na famosa cidade de Los Angeles, no estado da Califórnia, o qual me acolhe há mais de 10 anos. Mas a oportunidade foi perdida, de novo. Mais uma vez. Nada contra meu amigo Antônio Frizzo, conselheiro do Grêmio, Bento Gonçalvense como eu, e facilitador e viabilizador das pré-temporadas do Grêmio na minha querida terra natal. Nada contra a estrutura da cidade, mas bem pelo contrário, a cidade em si é uma das mais bem preparadas no Brasil e candidata fortíssima a ser campo base de treinamento de alguma seleção durante a Copa do Mundo do Brasil em 2014. Fazer a pré-temporada em Bento não gera retorno algum ao Grêmio se comparado ao que poderia ser gerado se a mesma fora no exterior. O Grêmio deixou de ser pioneiro, perdeu uma oportunidade rara, a de realizar uma pré-temporada sem custos no exterior, em troca de dois ou três míseros amistosos organizados pelos investidores e patrocinadores deste projeto, feito que nenhum clube brasileiro fez até hoje. Perdeu a chance de conquistar novos torcedores, em um mercado que muito brevemente fará parte da nossa Copa Libertadores da América. Perdeu a chance de apresentar a nossa marca para a mídia local, fechar parcerias locais com clubes da MLS, abrir escolinhas no exterior com a marca Grêmio, buscar novos patrocinadores e apresentar o projeto Arena, que mesmo não sendo sede da Copa de 2014, será um dos estádios mais modernos do Brasil. Perdeu a oportunidade de apresentar-se aos seus futuros “clientes” no mercado que mais leva torcedores aos Mundiais da FIFA (foram mais de 30,000 americanos – contra pouco mais de 17,000 ingleses e 14,000 brasileiros – na África do Sul, e a expectativa de que mais de 100,000 americanos estejam no Brasil durante a Copa de 2014). As oportunidades batem na nossa porta, mas por algum motivo não estamos sabendo tirar vantagem desse momento. A copa é logo aí; faltam menos de 3 anos. Mais de um milhão de pessoas visitarão o Brasil durante o Mundial, mas se não mudarmos a nossa maneira de pensar e agir, eles virão, continuarão amando a nossa seleção e os nossos craques, mas irão de volta pra casa sem saber quem são os nossos clubes de tradição. Espero que isso mude em breve. Muito breve. Apesar de não concordar com o uso do dinheiro da FGF na organização de jogos no exterior, enquanto os clubes do interior não tem estrutura, não temos um clube sequer na Série B nacional, e somente um na Série C (comparando essa situação somente com os nossos vizinhos catarinas, um estado sem muita tradição no futebol brasileiro, já é uma vergonha), eu quero sim que seja viabilizado (através de investidores) o GreNal nos Estados Unidos. É possível. Mas tem que ser bem feito, ainda é tempo de fazer um pequeno estudo de mercado. Erro será levar esse jogo para uma colônia mineira em território americano como é Boston. Procurem informar-se e vejam que a maioria dos gaúchos que vivem nos Estados Unidos, estão na Califórnia. Gaúchos os quais seguirão por aqui depois do tal clássico, ajudando a promover a imagem dos nossos times da província. Basta ter conhecimento, pessoas capacitadas e ousadas. Ainda é possível sim recuperar o tempo perdido, mas não espere pelo amanhã quando isso deveria ter sido feito ontem, mas ainda pode ser feito hoje.

 

Saudações tricolores,

 

Daniel Gamba
@dlgamba

(Cônsul do Grêmio em Los Angeles, especialista em marketing esportivo.)

A motivação que falta

Em (Opinião) por Valdo em 14-11-2011

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Caro leitor, seja você empregado, proprietário ou até mesmo gerente de uma empresa, sabes bem que a sua performance ou das pessoas que trabalham com você está diretamente relacionada com motivação. Motivação para fazer melhor, para ganhar um aumento, para ser promovido ou seja lá qual for, mas o que move o ser humano, de uma forma ou de outra é a motivação.

 

Dito isso, me explique como manter-se motivado sabendo que a empresa que você trabalha não quer mais o teu trabalho, e que ano que vem terás que procurar um novo lugar para trabalhar? Se a sua resposta for que o caso de jogador é diferente pois ganha muito e que ele tem que ser profissional como todos nós seríamos, lembre-se que esse mesmo jogador, embora ganhando uma salário invejável, é um ser humano como qualquer um de nós e que tem sim uma família pra sustentar e que é suscetível a sentimentos, pressões e preocupações.

 

Pois esse é o caso de  mais de uma dezena de jogadores gremistas, uma vez que os profissionais executivos e muito bem remunerados responsáveis pelo futebol gremista já anunciaram que farão "uma limpa na zaga" e que farão uma profunda re-estruturação no elenco. Faça um exercício caro leitor, e tente trabalhar normalmente sabendo que a sua empresa fará uma limpa ano que vem. Não entro no mérito se os jogadores merecem ou não vestir a camisa tricolor, mas sim no mérito do trato humano e de negociações.

Falando em negociações - mostra-se mais uma vez que a direção tricolor não leva o menor jeito para a coisa, e que a velha máxima do em boca fechada não entra mosca nunca esteve tão correta.

 

Portanto, por um mínimo de dignidade nos últimos jogos gremistas no ano de 2011, que "calem-se" um pouco, que façam as negociações sem anunciar aos quatro ventos os planos para o próximo ano - os jogadores agradecerão, jogarão melhor, ou pelo menos "menos desmotivados" e a torcida tricolor também! 

 

Por um 2012 melhor.... Saudações Tricolores

 

 

[corneta] O que nós realmente estamos fazendo no Olímpico?

Em (Corneta, Opinião) por Valdo em 13-11-2011

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Tarde ventosa, dia frio, clima de ressaca. Times sem ambição nem perspectiva. Era esse o teatro modorrento e pascácio que se apresentava na tarde de 13 de novembro para mais um jogo no velho casarão, que já deve estar cansado de tanto ver Rafaéis Marques e Adilsons torturarem a grama já tão vitoriosa em tempos idos do estádio e pede aposentadoria urgente (se bem que o lugar destes trastes deveria ser os campos de areião da várzea do rio Camaquã e não envergando a tão bela camisa tricolor).

O que esperar de um time sem ambição e que pode ser facilmente classificado de time do Jimo Cupim? Realmente o que vimos, mais uma vez, indignados de nosso canto. Nada, absolutamente nada. Parafraseando um urso colunista aqui da aldeia, um oceano de suores acendendo apenas uma lâmpada LED desnecessária no correr de uma via qualquer do mundo.

 

O pior ainda vinha no meio do jogo: Escudero se lesiona cedo, provocando a entrada de um cone pintado de azul. Ah, não era um cone, era o Brandão? Sim, era, nós é que não conseguimos diferenciar o Brandão de um cone. O pior é que o cone fez um gol – e, cuidado, fazer gols nesse time do Grêmio pode ser sinal de continuidade. Socorro!

 

O resto do jogo foi o mesmo de sempre. Estamos pensando que enquanto o ano não se encerrar e várias das situações existentes no clube não mudarem, apenas repetiremos uma crônica padrão com lacunas, mais ou menos assim:

“O Grêmio jogou com ___________, ____________ e ____________, que tiveram péssima atuação e mereciam estar no lado de fora do campo. A posição de _____________, com certeza, é na ponta. Na ponta do banco, bem quietinho, daonde deverá nunca mais sair. O zagueiro _____________ teve sua atuação habitual, catastroficamente pontuada com o passe que deu para o adversário Huntongazinho, do Setuporianense de Finca-Muros, que fez o gol no Grêmio”.

 

Infelizmente, as rodadas se sucedem e invariavelmente o enredo vem sendo o mesmo. Um choque de 880 volts cada vez mais se faz necessário – mas não só no elenco, mas também na gestão tricolor – que, mais uma vez infelizmente, faz com que o reflexo de seus atos seja espelhado apenas no campo, aonde esses pobres infelizes insistem em errar passes nos tolhendo a paciência de assistir o jogo.

A destacar, apenas, a atuação (novamente) de Fernando. Este é um oásis de qualidade no Saara que é o Grêmio atual.

 

Até a próxima coluna!

 

Doutrinador & Conselheiro

[corneta] O árduo final de ano

Em (Opinião) por admin em 09-11-2011

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Demoramos a escrever essa coluna para tentar entender o que aconteceu no sábado último. As longas sessões de tortura medieval que tem sido os últimos jogos do Grêmio fora mais nos parecem que as pilhas dos inúteis que vestem a jaqueta tricolor não são Duracell – e, para cada tocada de tamborzinho em alta rotação, temos quatro ou cinco com baixíssima ou nenhuma produtividade. Nitidamente, a proximidade das festas natalinas tem afetado a capacidade de motivação dos jogadores, de modo a proporcionar aos torcedores insanos espetáculos dantescos como o de 05.11.

Se bem que... várias das coisas que viemos falando aqui ao longo do tempo se repetiram, cansativamente até. Não se escala mais de um podre no mesmo time sem ficar ileso a danos. No jogo do último sábado, Adilson e Rafael Marques jogaram. Resultado? 2x0 (pró-Atlético-MG, evidentemente). Felizmente, Roth não quis escalar mais jogadores do escrete do Jimo Cupim – senão, nossa impressão é de que a cada podre tomaríamos um gol! Imaginem um time com Gilson, Maylson, Roberson, Diego Clementino... poderia ser uma goleada vexatória que foi evitada pelo açodamento de nosso ilustre comandante da casamata.

 

O momento atual do clube é para fazer duas pequenas coisas: ganhar o GREnada na última rodada, seja com quem for jogar (e, muito provavelmente, os dois clubes estarão disputando apenas uma vaga na sulamericana – se já não estiverem classificados) e uma ampla, geral e irrestritra reformulação no elenco tricolor. De nada adianta contarmos com promessas surgidas no elenco tricolor advindas da base já com 25 ou 24 anos (casos de Adilson e William Magrão, por exemplo) barrando jogadores como Fernando (que, num lampejo, acabou jogando... mas ainda tem o receio do grupo do contracheque barrá-lo), Gerson (zagueiro da base convocado desde seus 13 anos e pedindo passagem) ou Misael (que vem obtendo destaque também nas categorias de base). Há o Emerson, meia atacante de destaque na última Copa São Paulo (melhor até que o Weverson Leandro, nosso proto-Neymar que merecia que seu cabelo fosse sumariamente raspado pra tomar jeito). Chega de engodos no elenco tricolor! Precisamos de jogadores que ou decidam por sua competência ou tenham a gana de querer vencer na profissão (por isso mesmo o foco nos jovens).

 

Kleber, se confirmado, já é um alento. Jonathan Botinelli – outro pretendido – não é, mesmo sendo um “zagueiro argentino” (dos que nunca funcionam no Brasil, dado que a zaga argentina joga sempre em linha de quatro zagueiros e protegidos por um volante protetor da casinha, diferentemente dos sistemas de jogo usados no Brasil). Mais um atacante? Absolutamente necessário.

 

Vamos ver até aonde conseguimos ir. Por enquanto, o cenário é de inchaço no elenco – e, corolário disso, a mesma motivação observada nos últimos jogos.

Até a próxima coluna!

 

Doutrinador & Conselheiro

[coluna do corneta] As últimas moedas que tilintarão no Lami

Em (Corneta, Opinião) por admin em 31-10-2011

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Normalmente Doutrinador e Conselheiro escrevem sobre as mazelas que grassam no seu próprio time. Entretanto, essas mesmas vicissitudes ontem serviram como uma rememoração de vários dos valores que há muito tempo vivenciamos e, mormente, não nos sensibilizamos mais (talvez pela maturidade já alcançada, talvez em função da transformação do futebol em negócio). As meias usadas, rotas e sujas de barro, já não habitam mais nossa visão diária do ludopédio propriamente dito.

 

Nisso culmina nosso objeto da coluna de hoje. Podemos qualificar o último produto do ventre podre de dona Miguelina como um objeto? Em nossa humilde visão, sim, podemos intitulá-lo de um assaz e mero objeto – joguete dos interesses vãos de mercenários atrozes que o manipulam ao seu bel-prazer. Mais: inerentemente a toda manipulação, este mesmo objeto teima em desfazer as suas raízes, tal como um mascarado da mídia a quem só interessa o deboche, a infantilidade de personalidade, a suposta “felicidade”, a diversão e a pusilanimidade de um pária.

 

Foguinho – o eterno meia-esquerda que, ao se tornar técnico do Grêmio, se tornou o cerne da personalidade futebolística gaúcha, trazendo os conceitos da seleção húngara de Puskas ao futebol gaúcho e forjando o caráter dos times sulistas até a década de 90 – dizia que um time de futebol se faz com caráter e com honra, não com malabaristas. Trazendo à realidade de hoje, podemos supor que seu Osvaldo Rolla quereria dizer que não se faz um time com focas amestradas assexuadas, que prezam muito mais acrobacias inúteis do que o objetivo final do futebol – o gol.

 

Não se faz gols apenas com passes laterais. Não se faz gol apenas com fintas. Não se ganham jogos apenas com ações dissuassórias. Faz-se gol com sangue, com luta. E com caráter. Com a honradez de quem deita no seu leito, à noite, depois da batalha, e consegue dormir tranquilo sabendo que mesmo não sendo o mais capaz, fez o possível para dignificar a camisa que veste – e ninguém pode dizer a si no dia seguinte “você deveria ter feito determinada ação” – porque suas ações demonstraram que o possível (e, talvez, até o próximo do impossível) havia sido feito.

Ontem deu-se essa demonstração. A quem louva a pretensa habilidade de um mercenário, deu-se a demonstração de que o esforço supera qualquer dificuldade – mesmo as mais intransponíveis. O jogo que assistimos teve a propriedade de ter sido ganho lisamente, sem agressões ou assemelhados – apenas na bola. Nem os mais contumazes criticados aqui por estes escribas tiveram atuação que possam ter algum óbice passível de registro. Fez-se, sim, a vontade de uma imensa torcida apaixonada que queria vingança – não sanguinária, mas apenas dos seus sentimentos.

 

Enquanto isso, no Lami – origem humilde de uma família de párias mercenários – as moedas continuam tilintando, comprando a felicidade. Muito provavelmente – apesar do desejo de Conselheiro de ainda encontrar um Assis Moreira numa esquina pedindo esmolas (e, ato contínuo, fechar a janela do carro negando inclusive migalhas) – as moedas continuarão tilintanto por muito tempo. Mas jamais comprarão a dignidade dos torcedores gremistas que viram quatro gols de esforçados jogadores que honraram e dignificaram, ao menos em 30.10.2011, a camisa que vestiram.

 

Um dia essas moedas acabarão. O vil som metálico não toará mais. E, disso, apenas sobrará pó de uma alma. Que assim seja.

O Amor nos tempos da Cólera!

Em (Opinião, Professor RCOstermann) por RCO em 31-10-2011

 

Parafraseando o Grande García Márquez, o jogo de ontem foi a síntese disso, o amor da torcida em contraste com a cólera da mesma, afinal em campo desfilava seu futebol, por vezes desdenhante, o grande algoz da torcida celeste. Porém, ao que tudo indica, Ronaldo acusou o golpe, a cólera vinda das arquibancadas o fez anular-se na intermediária esquerda de campo, ali sofreu apupos, ali chamaram-no de pilantra, ali desapareceu o seu encanto e sua magia, foi apenas mais um.

Ainda assim os rubro-negros saíram na frente, fizeram dois gols, tudo parecia conspirar para que Ronaldo, pela terceira vez, enchesse os corações celestes de tristeza. Mas não, jamais, o amor da torcida prevaleceu, ela, a torcida, despertou o time, foi vibrante, foi superior, foi o ânimo que faltava dentro de campo. André Lima, ainda no primeiro tempo, num giro em que sua força física fez-se superior, chutou no canto do goleiro rubro-negro, era o início da reação, porém era tambem o término do primeiro tempo.

 

No intervalo, o burbrinho da desconfiança rondava as arquibancadas e cadeiras do Olímpico, o cochicho da desconfiança, o medo desfilava em vestes triunfais pelas escadarias. Mas havia a Esperança, aaaah a Esperança, essa moça de belas curvas, com decotes generosos e pernas a mostra, ela estava diante dos olhos de cada torcedor gremista, oferecendo-se, provocando e fazendo sonhar com suas carícias.

Mal começava o segundo tempo e o Grêmio, outra vez com André Lima, chegava a igualdade, a Esperança, insinuava-se cada vez mais, caminhava remexendo os quadris de forma sensual, agitava a todos nas arquibancadas, era desejada e assediada, estava ali, ao alcance de todos, mas ainda a um passo utópico de distância.

Quando Douglas fez o gol da virada, pronto, o frenesi foi instaurado nas arquibancadas, pulos, gritos, loucura extrema, juras de amor eterno, e a Esperança transformou-se em uma musa, ainda mais bela, ainda mais provocante, ainda mais sensual, a Realidade, aaaah quem não a ama? Quam não a deseja? Quem nunca sonhou com ela, em noites quentes do verão? Quem nunca a teve que atire a primeira pedra. A realidade, saciou o desejo de todos os Gremistas.

E quando Miralles marcou o quarto gol, a torcida explodiu, veio abaixo, instaurou-se um frenesí orgásmico que levou ao delírio toda a massa ululante de gremistas que compareceram no Monumento de concreto, finalmente a Realidade era dos gremistas, linda e apaixonante como sempre fora nos sonhos mais secretos de cada um presente no estádio, a comemoração parecia um ritual, gritos, urros, choro, a torcida estava em transe, o time estava em transe, era um vitória com uma virada histórica, dessas que somente quem ama de verdade pode acreditar.

 

Por fim, Ronaldo, saiu de campo, dizendo que os gritos da torcida não eram nada! Ronaldo, em toda a sua molecaem, voltou a ser criança, sentiu o golpe, mas não foi homem o suficiente para admitir, foi, mais uma vez, o moleque!

[análise do professor] Uma vitória que esperou 39 anos!

Em (Opinião, Professor RCOstermann) por RCO em 17-10-2011

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Pelé ainda desfilava sua genialidade em campo, sim, em 1972 Pelé ainda jogava, e foi nesse ano a última vez que os celestes venceram o alvi-negro praiano, 39 anos atrás, aaah transcorre o tempo no olhar, e se fecho os olhos sou capaz de me lembrar daquela magnífica Copa de 70, o melhor futebol do Mundo era real, era Brasileiro, aaaai os calções curtos, calor, altitude e deliciosos feijões mexicanos que eu e Pedro degustavamos nas saudosas noites aztecas.

De lá para cá, o Grêmio conquistou, o Brasil, a América, o Mundo, mas não conquistava vitórias fora de casa contra o peixe, até hoje. Com cerca de 28 minutos de jogo, tudo mudou, André Lima sofreu pênalti, Douglas cobou, o goleiro defendeu e Escudero marcou, foram necessários três jogadores para fazer um gol, para acabar com um jejum de 39 anos sem vencer o Santos em Brasileiros.

 

Chovia, o campo estava escorregadio, a bola traiçoeira e o Grêmio com um entrosamento raro, alguns profetas do desastre falavam em goleada, derrota acachapante, que Borges faria muitos gols, aaaai não, nada disso aconteceu, hoje, Victor estava seguro, A zaga bem posicionada, o meio criava e o ataque, com André Lima, tentou, investidas paravam no goleiro dos praianos.

Sonha-se com a Libertadores? Sim, ainda sonha-se, um sonho daqueles que ocorrem perto da hora de acordar e encarar a dura realidade, mas ainda assim um sonho, tênue, quase um devaneio de olhos abertos, o Grêmio demorou para reagir no campeonato, os pontos que escaparam em casa fazem falta agora.

Mas se depois de 39 anos o tricolor venceu o Santos, o que parecia impossível, por que são sonhar com 24 pontos e tornar o sonho da Libertadores tão real quanto aquele futebol -arte da década de 70.

[análise do professor] O Balneário, as Belas e o Grêmio.

Em (Opinião, Professor RCOstermann) por RCO em 14-10-2011

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Aproveitando o mote do corneta escrevo sobre a praia de belas, aaaah que maravilhoso viajar no tempo, com aquele sabor especial das recordações.

Lembro que íamos, eu e o Guiga, um negro serelepe, que diziam ter o corpo ensebado, tamanha era a dificuldade de marcá-lo no futebol, fazíamos nossas goleiras com as chinelas e no final, após estarmos encharcados de suor, apostávamos corrida até o Guaíba, para ver quem seria a mulher do vigário, o último a cair nas refrescantes águas do então rio. Bons tempos.

Bons tempos também eram aqueles em que o Grêmio era imbatível dentro de sua casa, perdia sim, claro, mas os adversário precisavam verter sangue pelos poros para sair com os três pontos.

Ontem sequer precisaram suar muito, terminava o primeiro tempo e já estava 2x0 para o Figueira, ao natural, ao meu ver com uma leve falha da águia tricolor, Victor, no segundo gol.

O segundo tempo trouxe um Grêmio mais voluntarioso, porém sem objetividade, bolas loucas alçadas na área, mas sem ninguém capacitado a cabeceá-las. Edcarlos marcou o primeiro dos celestes, mas logo depois o figueirense ampliou, era a pá de cal, a mesma pá de cal que soterrou minhas memórias quando resolveram aterrar o balneários da beldades, triste, mas real, igual ao Grêmio dos dias atuais.

Houve uma vez duas Copas

Em (Opinião) por Rodrigo Mallmann em 11-10-2011

Jorge Furtado rodou no litoral gaúcho e lançou, em 2002, um filme chamado “Houve uma vez dois verões”, que narra a história de Chico, um piá, como todo piá portoalegrense que vem pra praia e acha que aqui é um mundo paralelo, e o seu romance de verão. Quando digo aqui, falo com propriedade: eu moro em Cidreira e sofro de uma doença chamada localismo. Acompanhado do Juca, um arigó que não pega ninguém e tá lá só pra polentiar, Chico corre atrás da guria que o iniciou nas atividades sexuais.

Em um breve resumo, a guria faz o cara de otário umas quantas vezes. Ele até fica com ela uma vez ou outra, mas normalmente, é escurraçado por ela, enganado, ludibriado. Se essa guria fosse de metal, com um bonequinho no alto, plaquinhas dos campeões na base e que atendesse pela alcunha de “La Copa”, muito prazer, meu nome é Grêmio, mas pode me chamar de Chico.

Roza com Z, a guria do Chico, e a Libertadores, a nossa obsessão, assim como acontece com grande parte do piazedo e com aqueles que metem a faixa no peito de campeão da América, ambas viram objetos de desejo, as quais se buscam quase a qualquer preço. Tranformam-se numa cachaça. Os agraciados tornam-se Michael Douglas, ou são acometidos por um desejo desenfreado de tornar-se “Copero”. Pontos corridos possuem toda a emoção de um campeonato de xadrez. É no mata-mata que se fazem homens. Não é no facebook que se pega mulher. É na abordagem no balcão do bar.

Assim como Chico, uma vez bordada a estrela sobre o Brasão, queremos mais e mais. Não outras mulheres, não outros títulos. Queremos ela. La Copa. Assim como Chico, que percorre outras praias do litoral num bumba aqui conhecido como “Rei do Peixe”, e sem sucesso, nós nos embretamos em pré-Libertadores, classificações suadas, busca por pontos lá aos 45 do segundo tempo, no fechar das cortinas dos campeonatos. Chegamos perto, mas nunca mais a tocamos. E ainda vimos o arigó do Juca comer gente. 2 vezes.

Mas assim como Chico, não desistimos. E nunca desistiremos. É a nossa obsessão. Ela tá gravada no coração dos Gremistas, e o Grêmio tá marcado nela, em duas placas, 1983 e 1995. Enquanto respirarmos, vamos buscar La Copa, ainda que inúmeros empecilhos se apresentem, ainda que diversas vozes falem no contrário, ainda que ela pareça por inúmeras vezes uma cadela ingrata, nós queremos ela.

Eis alguns comentários que ouvi nesses dias: gremistas fatalistas dizendo que já que não temos time pra ganhar a Libertadores, que tentemos a Copa do Brasil. E eis o que acho: prêmios de consolação encontram lugar no lado de lá da Padre Cacique, com copas surugas e o escambau. Eu não quero qualquer guria. Eu quero ela. Eu quero aquele final feliz, nas dunas de Cidreira, a família correndo, feliz no meio do Nordestão. Eu quero La Copa. E eu ainda tenho mais uma ficha pro fliper.

[coluna do corneta] A elegia dos guidões

Em (Corneta, Opinião) por admin em 10-10-2011

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Relembre-se sempre do número cinco. Cinco. Deles falaremos muito durante essa coluna.

Sábado último, dia quente, Doutrinador e Conselheiro – como de hábito – reúnem-se para o combo jogo + churrasco a fim de assistir mais uma temerária partida de futebol – onde nosso indigitado treinador ousa escalar, mesmo sem os jogadores mais adequados, o mesmo esquema de jogo que vem apresentando sucesso nas últimas apresentações. Fato impressionantemente inacreditável para um organizador de times que tem como predileção escolher jogadores que guardam posição de forma mais recuada – entendendo que os jogadores que vestem a jaqueta número cinco possuem a capacidade inefável de adaptação a qualquer lugar dentro de campo (sim, alguns nós achamos que podem se adaptar a diversos lugares – principalmente FORA de campo). Mas...

 

Uma armadilha seria pespegada ao nosso guardião da distribuição das camisas: seu elenco. Além de falho, ainda por cima instável. Por primeiro, um dos zagueiros enviados ao estado do Paraná não pode entrar em campo – e, com uma alegria incontida e um sorriso escondido no rosto, o primeiro volante reserva assume a posição de zagueiro. Até aí tudo bem – mas, se observarmos bem o primeiro gol, após a defesa de Victor rebotar na trave, Marco Aurélio recebe a bola onde outro zagueiro deveria estar presente e chuta no ângulo contrário ao que Victor poderia defender. 1x0 Coritiba.

Pior: um dos únicos atacantes ainda passíveis de escalação do Grêmio em seguida se lesiona. Outra vez, com um recôndito riso irônico no canto direito da boca, Adilson – que seria um excelente diretor do Instituto Desejo Azul, diga-se de passagem – aquece e entra em seu lugar, tomando a posição de Diego Clementino – que é posicionado como último atacante. É ÓBVIO que essa modificação só manteria o Grêmio em seu campo, dado que Clementino é uma caricatura de atacante. Trabalho árduo sem qualidade não habilita ninguém a jogar futebol; fosse assim, tanto Doutrinador quanto Conselheiro seriam zagueiros da seleção uruguaia desde 1989, mais ou menos, e manteriam-se como titulares colocando aqueles gurizinhos como o Lugano na impiedosa reserva. Dedicação única e exclusivamente não resolve nada.

 

Ademais, a leitura de Roth sobre determinados jogadores cada vez mais é equivocada. Nosso simpático amigo Adilson é tido pelo nosso fieldman-in-chief como um jogador capaz de ocupar, num esquema 4-2-3-1, a posição do lado direito de meio-campo. Pois somos obrigados a dizer, técnico amado: NÃO É. Mesmo com a lentidão açoriana de Marquinhos, este último tem qualidade de passe que permite jogar no meio-campo. Adilson, para acertar um passe, tem que recuar a bola. Não se adapta a jogar pra frente, fazendo apenas desarmes – o que é insuficiente para tal distribuição em campo. Este número cinco não nos resolve mais, infelizmente – e, mesmo que a nossa fábrica de volantes (também conhecida como “categoria de base”) produza cada vez mais essa estirpe de jogadores, não adianta colocarmos cinco deles em campo. Não chegaremos a lugar nenhum.

 

Eu falei cinco? Pois é. Cinco. Cinco cincos, porque William Magrão entrou também. A proporção de volantes chegou a 45,45% do time (poderiam ser 50% se considerássemos somente os jogadores de linha), quando a proporção aceitável seria algo como 18,18%. A impressão que dá é que Roth foi forjado nas duras lides da década de 70, em que times possuíam volantes que sabiam jogar – não só marcar ou desarmar. Batista (tanto o desmaiador quanto o Sérgio Batista, argentino das décadas de 80-90) ou Dinho, que ao mesmo tempo que sabiam como acabar com a jogada do adversário também sabiam armar jogos. E isso, ultimamente, nossos cinco não sabem.

A única benesse que talvez tenhamos tido é que não tomamos cinco. Poderia ser pior.

Até a próxima coluna!

 

Doutrinador e Conselheiro

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