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A administração geral do futebol gaúcho
Em (Corneta) por Corneta em 26-03-2012
Tags : Coluna do corneta
Não é de hoje que ouve-se críticas severas sobre o gerenciamento estrutural do futebol gaúcho. Não obstante termos uma concentração polar nos dois grandes clubes da capital – o que por si só já acaba por contribuir para o apequenamento dos clubes periféricos – as sucessivas administrações políticas e incompetentes da Federação Gaúcha de Futebol só acabam fazendo com que todas as áreas de atuação na organização e administração do esporte fracassem fragorosamente aqui na província. Observações básicas sobre a representatividade dos clubes gaúchos nas diferentes divisões do campenato brasileiro em comparação com os demais estados da federação demonstram cabalmente que a falência do modelo administrativo atual é evidente – e mais: gritante.
Se fizermos um pequeno censo econômico entre os clubes do interior do RS, constataremos que vários dos clubes só sobrevivem em função do patrocínio pago pelo Banrisul – e estas instituições são, em sua grande maioria, também clubes sociais, com pavilhão de sócios e demais infraestruturas que poderiam e deveriam trazer renda aos cofres. Entretanto, o que vemos cada vez mais são clubes falidos, com folhas de pagamento parciais – porque os times são montados apenas de outubro a abril, quando o são – e sem nenhum apoio da organização que deveria ajudá-los a superar os seus problemas. Criar campeonatos regionais que aproveitem a rivalidade entre as cidades, estimular e colaborar para que os clubes a formar categorias de base, desenvolver ações de marketing conjunto para tornar o futebol gaúcho forte – afinal, já tivemos Juventude e Brasil-PE entre os seis colocados em campeonatos brasileiros – não é prioridade para a FGF; a prioridade é, sim, fazer o marketing pessoal do senhor Francisco Noveletto para torná-lo algo maior do que já (não) é.
Enquanto isso... o presidente da Federação Gaúcha de Futebol chega ao desplante de alugar helicópteros para participar de dois jogos diferentes nas semifinais do campeonato. A propaganda de sua rede de lojas – em que apenas moscas entram, como pode ser constatado em qualquer shopping de Porto Alegre – é onipresente. Suas viagens cada vez são mais constantes – como, por exemplo, quando da renúncia do presidente da Confederação, onde se refestelava em Miami (EUA). Isso sem contar os tais “congressos técnicos”, objeto de delírio financiado pelos contratos publicitários da FGF realizados no exterior nos três últimos anos – que servem apenas para referendar e chancelar uma proposta absurda que esgota os poucos ovos de ouro que o futebol gaúcho ainda possui. O quadro de arbitragem – outrora considerado como qualificadíssimo pela crítica e pelas entidades organizadoras – chega a ser piada, com juízes absolvidos por não punirem agressões vis (nem falamos no caso Kleber, mas sim no caso Damião – em que o jogador e o juiz que deveria puni-lo foram absolvidos) e tribunais “jurídicos” que fazem suas deliberações sem nenhum critério. Ou, melhor, deve haver critério: o critério financeiro e do interesse de quem comanda.
O que interessa ao atual presidente da Federação é reforçar sua candidatura à presidência da CBF. Enquanto isso, continuaremos a ter jogadores lesionados, juízes inaptos, tribunais julgando ao seu bel-prazer, congressos técnicos sendo realizados às expensas dos clubes no exterior e, principalmente, um vaidoso babão dono de lojas vazias arrotando grandeza falando sobre a caravana da miséria. Quem sobreviver ao “fenômeno” (de inaptidão) Noveletto, verá.
Doutrinador & Conselheiro






