A administração geral do futebol gaúcho

Em (Corneta) por Corneta em 26-03-2012

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Não é de hoje que ouve-se críticas severas sobre o gerenciamento estrutural do futebol gaúcho. Não obstante termos uma concentração polar nos dois grandes clubes da capital – o que por si só já acaba por contribuir para o apequenamento dos clubes periféricos – as sucessivas administrações políticas e incompetentes da Federação Gaúcha de Futebol só acabam fazendo com que todas as áreas de atuação na organização e administração do esporte fracassem fragorosamente aqui na província. Observações básicas sobre a representatividade dos clubes gaúchos nas diferentes divisões do campenato brasileiro em comparação com os demais estados da federação demonstram cabalmente que a falência do modelo administrativo atual é evidente – e mais: gritante.

 

Se fizermos um pequeno censo econômico entre os clubes do interior do RS, constataremos que vários dos clubes só sobrevivem em função do patrocínio pago pelo Banrisul – e estas instituições são, em sua grande maioria, também clubes sociais, com pavilhão de sócios e demais infraestruturas que poderiam e deveriam trazer renda aos cofres. Entretanto, o que vemos cada vez mais são clubes falidos, com folhas de pagamento parciais – porque os times são montados apenas de outubro a abril, quando o são – e sem nenhum apoio da organização que deveria ajudá-los a superar os seus problemas. Criar campeonatos regionais que aproveitem a rivalidade entre as cidades, estimular e colaborar para que os clubes a formar categorias de base, desenvolver ações de marketing conjunto para tornar o futebol gaúcho forte – afinal, já tivemos Juventude e Brasil-PE entre os seis colocados em campeonatos brasileiros – não é prioridade para a FGF; a prioridade é, sim, fazer o marketing pessoal do senhor Francisco Noveletto para torná-lo algo maior do que já (não) é.

 

Enquanto isso... o presidente da Federação Gaúcha de Futebol chega ao desplante de alugar helicópteros para participar de dois jogos diferentes nas semifinais do campeonato. A propaganda de sua rede de lojas – em que apenas moscas entram, como pode ser constatado em qualquer shopping de Porto Alegre – é onipresente. Suas viagens cada vez são mais constantes – como, por exemplo, quando da renúncia do presidente da Confederação, onde se refestelava em Miami (EUA). Isso sem contar os tais “congressos técnicos”, objeto de delírio financiado pelos contratos publicitários da FGF realizados no exterior nos três últimos anos – que servem apenas para referendar e chancelar uma proposta absurda que esgota os poucos ovos de ouro que o futebol gaúcho ainda possui. O quadro de arbitragem – outrora considerado como qualificadíssimo pela crítica e pelas entidades organizadoras – chega a ser piada, com juízes absolvidos por não punirem agressões vis (nem falamos no caso Kleber, mas sim no caso Damião – em que o jogador e o juiz que deveria puni-lo foram absolvidos) e tribunais “jurídicos” que fazem suas deliberações sem nenhum critério. Ou, melhor, deve haver critério: o critério financeiro e do interesse de quem comanda.

 

O que interessa ao atual presidente da Federação é reforçar sua candidatura à presidência da CBF. Enquanto isso, continuaremos a ter jogadores lesionados, juízes inaptos, tribunais julgando ao seu bel-prazer, congressos técnicos sendo realizados às expensas dos clubes no exterior e, principalmente, um vaidoso babão dono de lojas vazias arrotando grandeza falando sobre a caravana da miséria. Quem sobreviver ao “fenômeno” (de inaptidão) Noveletto, verá.

 

Doutrinador & Conselheiro

[Coluna do Corneta] As trombetas do apocalipse já tocam!

Em (Corneta) por Valdo em 08-03-2012

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Não, não tememos pelo fim dos tempos – mas é apenas o retorno triunfal da coluna mais sintonizada com o naipe de metais de uma orquestra filarmônica: as cornetas!

 

Doutrinador & Conselheiro estavam em silêncio obsequioso, quase compulsório, após uma ampla reformulação no escrete tricolor – incluindo aí a troca da liderança da comissão técnica e 14 ou 15 jogadores novos em campo. É óbvio e notório que se precisa de tempo para que mudanças radicais com essa complexidade produzam efeito – mas não dá para termos assim também TANTO tempo, com competições surgindo a todo momento. No mínimo um pouco de organização tática, noções de distribuição coletiva e jogadas com um mínimo de demonstração de terem sido repetidas durante treinos já deveriam ser observadas.

No entanto, tudo errado. As fortes convicções da diretoria em Caio Júnior caíram logo por terra com a sua demissão entre os festejos momescos, nos permitindo fazer uma digressão sobre o carnaval que se instala no ambiente profissional do vestiário. Substituindo-o, veio o PROFEXÔ Luxemburgo – que demonstrou, ao menos, um bom discurso entendendo e tentando praticar o que o torcedor gremista tanto deseja ver novamente. Entretanto, excetuando-se o GREnal – em que o Grêmio estava muito motivado por desacreditado e o tradicional adversário estava com um salto do tamanho da Torre Eiffel – os jogos contra Caxias, Cerâmica e River Plate-SE não mostraram avanços nesse trabalho.

Analisando-se apenas a partida de ontem, é permitido sugerir a Naldo que procure – e LOGO – o caderno de empregos da ZH para ver se há algum trabalho disponível como servente de obras. Dizem que na beira do rio haverá trabalho lá por setembro ou outubro. Entregar de uma a duas bolas cruciais por jogo é impossível para um ZAGUEIRO – que ainda precisa ser veloz, dado que nosso ancião Gilberto Silva, embora experiente, não tem mais velocidade de recuperação suficiente para correr atrás de gurizinhos novos que já tem idade para serem seus filhos. Naldo, por favor, vai pro SENAI!

 

Pela beira do rio de Porto Alegre pode ficar também outro jogador: Marquinhos. Preferencialmente no Asilo Padre Cacique. Jogador profissional que se preze não pode morrer com 60 minutos de jogo sem uma explicação razoável. Como não conseguimos imaginar o que Marquinhos faz no vestiário no intervalo de campo (de repente ele é um dos animadores de vestiário, promovendo gincanas desgastantes para distrair seus coleguinhas enquanto estes repõem suas energias), é melhor deixá-lo como opção para o segundo tempo – quando o adversário estiver cansado ou não precisarmos de mobilidade no jogo.

Quanto aos outros jogadores, a se lamentar e MUITO a lesão de Souza. O pouco que ele demonstrou nos três jogos que participou (São José, GREnal e Caxias) já dá alento para que possamos acreditar na ressurreição de Diego Souza no meio-campo tricolor. Não é nenhuma maravilha, mas é melhor do que viemos tendo agora.

 

Sobre o jogo? O resultado – e a maneira como foi conquistado – fala por si; nem precisamos tecer maiores comentários sobre a peleia. Méritos para todos nós, que conseguimos assistir a bagaça até o final. Precisamos de MUITO trabalho do PROFEXÔ para poder acreditar nesse time.

Até a próxima coluna!

[Coluna do Corneta] Sem sentido

Em (Corneta) por Valdo em 06-02-2012

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Não dá para dizer que a volta da Coluna da Corneta venha com a força das sete trombetas do Apocalipse. Afinal, é apenas um mês de preparação com um elenco que vem paulatinamente sendo filtrado das más influências e dos vícios já arraigados no antigo elenco tricolor (caso das saídas de Rochemback e, a julgar pelas manifestações apaixonadas daqueles que não viram meias como Vilson Tadei e Osvaldo jogando, do meia em processo de “Tchequização”*: Douglas). Entratanto, é importante deixar claro que algumas verdades já estão ficando escritas na testa de cada torcedor que tem ido aos jogos desse último ano do Olímpico sequiosos de FUTEBOL – mas também de ENTREGA em campo (qualidade também, mas isso é avis rara no atual cenário brasileiro).

 

Ao que parece, os tiros certeiros que a direção gremista direcionava deram chabu. Nem Giuliano, nem Carlos Eduardo vieram – e, por mais que alguns jogadores tenham tido destaque (exemplos claros são Marcelo Moreno e Kleber – que estão justificando plenamente o investimento) – grassa o vazio no meio de campo e na defesa. Ontem, apenas Fernando teve uma atuação digna de menção; Marquinhos tem severos problemas aeróbicos (mas, quando manteve-se com a respiração em dia, foi bem) – e Leandro e Marco Antonio simplesmente desapareceram em campo. Este último parece ser realmente apenas um jogador de série B, dado que já rodou por diversos clubes e sua única temporada de expressão foi na Portuguesa. Leandro precisa comprar um lote completo de pulseiras POWER BALANCE e amarrar em todos os seus membros inferiores e superiores – só assim pode ficar mais tempo em pé do que deitado.

 

A zaga é outra calamidade. Particularmente, Conselheiro tinha esperanças em Douglas Grolli – mas as suas últimas atuações tem demonstrado que sua aptidão mesmo é em outra área que o Grêmio vai bem, a construção civil. Talvez um zagueiro experiente possa dar mais estofo à gurizada que foi contratada, mas a forma de atuação e esquema que vem sendo proposta deixa desprotegidos demais os zagueiros – fazendo com que estes recebam o ataque de peito aberto. Já vimos isso entre 1990 e 1991 – onde a zaga escolhida como destaque no campeonato de 90 foi a pior zaga no rebaixamento de 91, apenas se retirando o centromédio que ficava à frente da zaga (na época, Jandir).

 

Doutrinador & Conselheiro, entretanto, vêem que a principal carência do elenco nem é tanto de QUALIDADE – mas sim de LIDERANÇA. De jogadores que vistam a camisa tricolor e digam “aquele rapaz da voz fininha que adora compartilhar seu quarto de concentração com rapazes jovens, viris e espadaúdos não cabeceia mais na minha área” (vocês sabem de quem falamos), como já tivemos em 1977 – e como sempre foi da tradição do Grêmio. De Leon, Ortunho, Dinho – onde há jogadores dessa estirpe? Certamente que não no Grêmio, que entrega sua braçadeira de capitão para jogadores depressivos que se abatem com uma primeira defecção nas suas atuações.

Detalhe importante que precisa ser lembrado: o próximo jogo é contra o Ypiranga de Erechim, na quarta-feira 08.02 – e BERGSON foi emprestado ao Ypiranga. Doutrinador & Conselheiro temem pelo pior – e temer pelo BERGSON é demonstração de que ainda falta muita coisa para podermos mudar de casa com maior tranquilidade.

Até a próxima coluna!

 

* Tchequização: procedimento contínuo de cegueira absoluta que alguns torcedores possuem, idolatrando ídolos de barro que eram nada mais do que jogadores médios e dando a entender que tal jogador foi fundamental em vários momentos da vida tricolor. Chegamos a ouvir que ele não só participou do ano de 2005 (e dos seus desdobramentos), mas deu o lançamento para Renato cruzar em 1983 para César dar seu mergulho em direção as redes no 2x1 contra o Penarol e até substituiu o eterno ídolo Eurico Lara no GREnal farroupilha em 1935...

[coluna do corneta especial] Finalmente, o final do ano

Em (Corneta) por Valdo em 23-12-2011

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Foi difícil de aturar. O modorrento interstício entre primeiro de janeiro e quatro de dezembro de dois mil e onze (vai por extenso para demonstrar o quanto foi demorado esse ano...) teve poucos momentos de brilho para muitos e severos momentos de rara decepção azul. Não é nossa intenção fazer uma plena retrospectiva do período vivido pelo Grêmio (até porque seria tétrica), mas o reconhecimento dos erros de avaliação, decisão e execução do ambiente tricolor se faz absolutamente necessário para podermos fazer a devida corneta.... também, com um amplo material oferecido, como não fazê-la?

O prolegômeno do ano nos reservou momentos de desespero ao vislumbrar a possibilidade de contratação do fruto do ventre podre da Miguelina – que, por inabitual sorte do gordo do cabelo azul, acabou não se concretizando. Entretanto, essa possibilidade nos trouxe vários momentos de reforço de mensagens como o bom twitter @piscinacopera e a ode aquática da Geral “Piscina Copeira, já levou um Assis Moreira!”... e, no final das contas, talvez o Conselho Deliberativo possa fazer um brinde á dona Patrícia Amorim, dona dos maiores títulos protestados do futebol brasileiro na atualidade. Mas a pergunta fica: onde estavam com a cabeça Odone e Antonio Vicente Martins para pensar na contratação de um ex-jogador de futebol, com um irmão sem caráter dedicado a comer pizzas e tomar guaraná?

Na seqüência, a perda do Gauchão e o início do Brasileiro foram fomentadores de graves azias, grandes bebedeiras e colunas para Doutrinador&Conselheiro. Ao invés de nos levar aos píncaros da glória, Adilson, William Magrão e Rafael Marques (vulgo “Risadinha”...) nos levavam aos mais infaustos picadeiros... de circo. Circos daqueles de quinta categoria, decadentes, em que o anão tem um metro e setenta de altura, o leão só toma leite desnatado e é desdentado e a mulher barbada tem alopecia. Celso Roth, então, foi o suprasumo do desespero – tanto para os dirigentes que os contrataram quanto para a torcida, que, paulatinamente, entrou em letargia e viu que o negócio do clube em 2011 era só não cair para a classe inferior ao final do ano. E o pior: ouvir o mesmo discurso de “que estamos trabalhando, fomos bem, entramos no circuito” é de cortar os pulsos com uma faca cega.

Ao menos o prenúncio de 2012 vem sendo bom. A diretoria gremista, pelo que parece, lê nossas colunas – afinal, já podemos saudar dois grandes reforços do próximo ano: as saídas de Adilson e William Magrão (\o/ \o\ /o/ \o\ /o/ \o\ /o/ \o/). Falta contratar um estoque de Ritalina pro Victor, agora, e estabelecer um bom substituto pro Douglas, que decididamente não está a fim de jogar em 2012 pelo tricolor. Vamos acompanhar e ir alertando o clube nos próximos passos.

 

Sempre alertas, até a próxima coluna,


Doutrinador e Conselheiro!

Torcedor, complete a frase: Oti Oti Oti…

Em (Corneta, Pós-Jogo) por Valdo em 27-11-2011

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Caro torcedor GREMISTA, em tempos de apostas e discussões sobre a renovação ou não do contrato do Celso Roth, propomos que você dê sua opinião, completando a frase "Oti Oti Oti" com as seguintes opções:

 

(  ) .. .me perdoa Celso Roth

 

(  ) ... não quero Celso Roth

 

(  ) ... nem a pau Celso Roth

 

(  ) ... vai pro Inter Celso Roth

 

(  ) ... vira blogueiro Celso Roth

 

(  )  ... #@$@%%$@# Celso Roth

 

Para ajudar, uma foto do nosso treinador na entrevista coletiva do jogo de hoje, onde empatamos em 2 x 2 com o poderoso Atlético - GO

 

[corneta] O que nós realmente estamos fazendo no Olímpico?

Em (Corneta, Opinião) por Valdo em 13-11-2011

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Tarde ventosa, dia frio, clima de ressaca. Times sem ambição nem perspectiva. Era esse o teatro modorrento e pascácio que se apresentava na tarde de 13 de novembro para mais um jogo no velho casarão, que já deve estar cansado de tanto ver Rafaéis Marques e Adilsons torturarem a grama já tão vitoriosa em tempos idos do estádio e pede aposentadoria urgente (se bem que o lugar destes trastes deveria ser os campos de areião da várzea do rio Camaquã e não envergando a tão bela camisa tricolor).

O que esperar de um time sem ambição e que pode ser facilmente classificado de time do Jimo Cupim? Realmente o que vimos, mais uma vez, indignados de nosso canto. Nada, absolutamente nada. Parafraseando um urso colunista aqui da aldeia, um oceano de suores acendendo apenas uma lâmpada LED desnecessária no correr de uma via qualquer do mundo.

 

O pior ainda vinha no meio do jogo: Escudero se lesiona cedo, provocando a entrada de um cone pintado de azul. Ah, não era um cone, era o Brandão? Sim, era, nós é que não conseguimos diferenciar o Brandão de um cone. O pior é que o cone fez um gol – e, cuidado, fazer gols nesse time do Grêmio pode ser sinal de continuidade. Socorro!

 

O resto do jogo foi o mesmo de sempre. Estamos pensando que enquanto o ano não se encerrar e várias das situações existentes no clube não mudarem, apenas repetiremos uma crônica padrão com lacunas, mais ou menos assim:

“O Grêmio jogou com ___________, ____________ e ____________, que tiveram péssima atuação e mereciam estar no lado de fora do campo. A posição de _____________, com certeza, é na ponta. Na ponta do banco, bem quietinho, daonde deverá nunca mais sair. O zagueiro _____________ teve sua atuação habitual, catastroficamente pontuada com o passe que deu para o adversário Huntongazinho, do Setuporianense de Finca-Muros, que fez o gol no Grêmio”.

 

Infelizmente, as rodadas se sucedem e invariavelmente o enredo vem sendo o mesmo. Um choque de 880 volts cada vez mais se faz necessário – mas não só no elenco, mas também na gestão tricolor – que, mais uma vez infelizmente, faz com que o reflexo de seus atos seja espelhado apenas no campo, aonde esses pobres infelizes insistem em errar passes nos tolhendo a paciência de assistir o jogo.

A destacar, apenas, a atuação (novamente) de Fernando. Este é um oásis de qualidade no Saara que é o Grêmio atual.

 

Até a próxima coluna!

 

Doutrinador & Conselheiro

[coluna do corneta] As últimas moedas que tilintarão no Lami

Em (Corneta, Opinião) por admin em 31-10-2011

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Normalmente Doutrinador e Conselheiro escrevem sobre as mazelas que grassam no seu próprio time. Entretanto, essas mesmas vicissitudes ontem serviram como uma rememoração de vários dos valores que há muito tempo vivenciamos e, mormente, não nos sensibilizamos mais (talvez pela maturidade já alcançada, talvez em função da transformação do futebol em negócio). As meias usadas, rotas e sujas de barro, já não habitam mais nossa visão diária do ludopédio propriamente dito.

 

Nisso culmina nosso objeto da coluna de hoje. Podemos qualificar o último produto do ventre podre de dona Miguelina como um objeto? Em nossa humilde visão, sim, podemos intitulá-lo de um assaz e mero objeto – joguete dos interesses vãos de mercenários atrozes que o manipulam ao seu bel-prazer. Mais: inerentemente a toda manipulação, este mesmo objeto teima em desfazer as suas raízes, tal como um mascarado da mídia a quem só interessa o deboche, a infantilidade de personalidade, a suposta “felicidade”, a diversão e a pusilanimidade de um pária.

 

Foguinho – o eterno meia-esquerda que, ao se tornar técnico do Grêmio, se tornou o cerne da personalidade futebolística gaúcha, trazendo os conceitos da seleção húngara de Puskas ao futebol gaúcho e forjando o caráter dos times sulistas até a década de 90 – dizia que um time de futebol se faz com caráter e com honra, não com malabaristas. Trazendo à realidade de hoje, podemos supor que seu Osvaldo Rolla quereria dizer que não se faz um time com focas amestradas assexuadas, que prezam muito mais acrobacias inúteis do que o objetivo final do futebol – o gol.

 

Não se faz gols apenas com passes laterais. Não se faz gol apenas com fintas. Não se ganham jogos apenas com ações dissuassórias. Faz-se gol com sangue, com luta. E com caráter. Com a honradez de quem deita no seu leito, à noite, depois da batalha, e consegue dormir tranquilo sabendo que mesmo não sendo o mais capaz, fez o possível para dignificar a camisa que veste – e ninguém pode dizer a si no dia seguinte “você deveria ter feito determinada ação” – porque suas ações demonstraram que o possível (e, talvez, até o próximo do impossível) havia sido feito.

Ontem deu-se essa demonstração. A quem louva a pretensa habilidade de um mercenário, deu-se a demonstração de que o esforço supera qualquer dificuldade – mesmo as mais intransponíveis. O jogo que assistimos teve a propriedade de ter sido ganho lisamente, sem agressões ou assemelhados – apenas na bola. Nem os mais contumazes criticados aqui por estes escribas tiveram atuação que possam ter algum óbice passível de registro. Fez-se, sim, a vontade de uma imensa torcida apaixonada que queria vingança – não sanguinária, mas apenas dos seus sentimentos.

 

Enquanto isso, no Lami – origem humilde de uma família de párias mercenários – as moedas continuam tilintando, comprando a felicidade. Muito provavelmente – apesar do desejo de Conselheiro de ainda encontrar um Assis Moreira numa esquina pedindo esmolas (e, ato contínuo, fechar a janela do carro negando inclusive migalhas) – as moedas continuarão tilintanto por muito tempo. Mas jamais comprarão a dignidade dos torcedores gremistas que viram quatro gols de esforçados jogadores que honraram e dignificaram, ao menos em 30.10.2011, a camisa que vestiram.

 

Um dia essas moedas acabarão. O vil som metálico não toará mais. E, disso, apenas sobrará pó de uma alma. Que assim seja.

[coluna do corneta] Você conhece o Parque Marinha do Brasil?

Em (Corneta) por admin em 13-10-2011

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 Você conhece o Parque Marinha do Brasil? Sim? Não? Pois bem: é um parque sito em Porto Alegre, nos arredores do Centro e da Cidade Baixa, oriundo do aterramento da (então) Praia de Belas, aonde várias raparigas do início do século passado refrescavam-se nas (então) límpidas águas do (então) Rio Guaíba (muito provavelmente o professor RCOstermann poderá descrever muito melhor esse ambiente. Ou não.).

Quem nunca matou uma aula sequer ou marcou o treino do seu time para os torneios interséries de inverno para ir jogar seu futebolzinho nas quadras de handebol (porque estas quadras eram maiores)? Hein? Doces lembranças pueris de quando as obrigações não eram tão complexas como são hoje. Tabelinhas inconsequentes, jogadinhas de dribles apenas para passar e voltar – nada objetivo, apenas um momento de descontração entre amigos.

Porque lembramos desses bons momentos no Marinha? Porque vimos exatamente esse tipo de ambiente no Olímpico, após o terceiro gol do Figueirense. O time catarina ficou fazendo linha de passe praticamente dentro da pequena área, passando a bola lateralmente sem definir para as redes enquanto vários jogadores gremistas ficavam fazendo pose de açucareiro no meio campo. Piada.

 

Celso Roth fez, em Curitiba, alterações inconsequentes que trouxeram o time demais para o seu campo. Ontem, Celso Roth fez alterações inconsequentes que jogaram o time para cima sem qualquer produtividade. Celso Roth demonstra sua principal capacidade e ao mesmo tempo seu principal defeito: sempre é elogiado pelos dirigentes como um profissional que tem capacidade de formação de time – seus times são sempre sólidos, com dedicação e posicionamento. O seu maior defeito é oriundo disso: quando necessário, não tem a mínima capacidade de mudar a visão de jogo. Sair do seu esquema exaustivamente trabalhado não é de sua índole – e, sendo assim, se vê sucessivamente surpreendido quando o técnico adversário entende sua mecânica de jogo e atua exatamente para bloqueá-la. Aí, acontecem as coisas como vimos ontem. E o pior é que a sucessão dos jogos parece nos dar assunto ainda para mais colunas até o final deste campeonato...

 

Victor precisa parar de passar Manteiga Aviação nas luvas. Rafael Marques precisa ir carpir. Edcarlos poderia fazer uma dupla sertaneja em Edmonton, Canadá. E, principalmente, muitos tem que calar a boca e começar a planejar 2012 olhando exatamente como vemos esse cenário, que é óbvio até para o Jatobá.

 

Como última conclusão, perguntamos: será que o Luciano Ratinho está disponível no mercado? Pelo menos ele era acostumado com o Marinha (http://www.google.com.br/url?q=http://esportes.terra.com.br/futebol/noticias/0,,OI330903-EI17400,00-Demitidos%2Bjogam%2Bpelada%2Be%2Bcriticam%2Btecnico%2Bgremista.html&sa=U&ei=7faWTrGPBYbx0gH9nvTTBA&ved=0CC4QFjAJ&usg=AFQjCNEDuzDGImVsLMYdDoAVFYzk-gs4Pg)...

Até a próxima coluna!

 

Doutrinador & Conselheiro

[coluna do corneta] A elegia dos guidões

Em (Corneta, Opinião) por admin em 10-10-2011

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Relembre-se sempre do número cinco. Cinco. Deles falaremos muito durante essa coluna.

Sábado último, dia quente, Doutrinador e Conselheiro – como de hábito – reúnem-se para o combo jogo + churrasco a fim de assistir mais uma temerária partida de futebol – onde nosso indigitado treinador ousa escalar, mesmo sem os jogadores mais adequados, o mesmo esquema de jogo que vem apresentando sucesso nas últimas apresentações. Fato impressionantemente inacreditável para um organizador de times que tem como predileção escolher jogadores que guardam posição de forma mais recuada – entendendo que os jogadores que vestem a jaqueta número cinco possuem a capacidade inefável de adaptação a qualquer lugar dentro de campo (sim, alguns nós achamos que podem se adaptar a diversos lugares – principalmente FORA de campo). Mas...

 

Uma armadilha seria pespegada ao nosso guardião da distribuição das camisas: seu elenco. Além de falho, ainda por cima instável. Por primeiro, um dos zagueiros enviados ao estado do Paraná não pode entrar em campo – e, com uma alegria incontida e um sorriso escondido no rosto, o primeiro volante reserva assume a posição de zagueiro. Até aí tudo bem – mas, se observarmos bem o primeiro gol, após a defesa de Victor rebotar na trave, Marco Aurélio recebe a bola onde outro zagueiro deveria estar presente e chuta no ângulo contrário ao que Victor poderia defender. 1x0 Coritiba.

Pior: um dos únicos atacantes ainda passíveis de escalação do Grêmio em seguida se lesiona. Outra vez, com um recôndito riso irônico no canto direito da boca, Adilson – que seria um excelente diretor do Instituto Desejo Azul, diga-se de passagem – aquece e entra em seu lugar, tomando a posição de Diego Clementino – que é posicionado como último atacante. É ÓBVIO que essa modificação só manteria o Grêmio em seu campo, dado que Clementino é uma caricatura de atacante. Trabalho árduo sem qualidade não habilita ninguém a jogar futebol; fosse assim, tanto Doutrinador quanto Conselheiro seriam zagueiros da seleção uruguaia desde 1989, mais ou menos, e manteriam-se como titulares colocando aqueles gurizinhos como o Lugano na impiedosa reserva. Dedicação única e exclusivamente não resolve nada.

 

Ademais, a leitura de Roth sobre determinados jogadores cada vez mais é equivocada. Nosso simpático amigo Adilson é tido pelo nosso fieldman-in-chief como um jogador capaz de ocupar, num esquema 4-2-3-1, a posição do lado direito de meio-campo. Pois somos obrigados a dizer, técnico amado: NÃO É. Mesmo com a lentidão açoriana de Marquinhos, este último tem qualidade de passe que permite jogar no meio-campo. Adilson, para acertar um passe, tem que recuar a bola. Não se adapta a jogar pra frente, fazendo apenas desarmes – o que é insuficiente para tal distribuição em campo. Este número cinco não nos resolve mais, infelizmente – e, mesmo que a nossa fábrica de volantes (também conhecida como “categoria de base”) produza cada vez mais essa estirpe de jogadores, não adianta colocarmos cinco deles em campo. Não chegaremos a lugar nenhum.

 

Eu falei cinco? Pois é. Cinco. Cinco cincos, porque William Magrão entrou também. A proporção de volantes chegou a 45,45% do time (poderiam ser 50% se considerássemos somente os jogadores de linha), quando a proporção aceitável seria algo como 18,18%. A impressão que dá é que Roth foi forjado nas duras lides da década de 70, em que times possuíam volantes que sabiam jogar – não só marcar ou desarmar. Batista (tanto o desmaiador quanto o Sérgio Batista, argentino das décadas de 80-90) ou Dinho, que ao mesmo tempo que sabiam como acabar com a jogada do adversário também sabiam armar jogos. E isso, ultimamente, nossos cinco não sabem.

A única benesse que talvez tenhamos tido é que não tomamos cinco. Poderia ser pior.

Até a próxima coluna!

 

Doutrinador e Conselheiro

[coluna do corneta] “Vida de Gado”, satélites e outras constatações

Em (Corneta) por Valdo em 23-09-2011

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Há algo caindo nos céus do mundo – e antes que o incauto leitor dessa coluna imagine que seja o satélite norte-americano, não, não o é: é a confiança que vínhamos tendo no time. Com tendência inversamente proporcional ao acompanhamento métrico da cotação do dólar americano, a atuação pífia do jogo de ontem nos fez lembrar a célebre rotina de um antigo treinador carioca que transformou o time do Grêmio num time de handebol – orientando a equipe a dar passes lateriais progressivamente até chegar de um lado a outro e não concluir a gol em momento nenhum.

Ontem, a mesma coisa. Um grande domínio territorial no jogo contra um time que PEDIA para tomar o gol (no caso, o time do João Fortes – digo, do Botafogo). A lateral esquerda era um latifúndio a ser ocupado – mas Bruno Collaço parece ser do Sindicato dos Produtores Rurais e não do MST, já que em nenhum momento foi à frente e passou o tempo inteiro guarnecendo o seu próprio campo, entrincheirado como um dos peões mais fiéis ao estancieiro Celso Roth. Do outro lado, Mário Fernandes não conseguia evoluir nas suas rápidas progressões e, da mesma forma que o jogo anterior, contra o Vasco, ficamos embarreirados no meio de campo trocando bolas de um lado para outro sem efetividade nenhuma. Os adversários já descobriram a forma de marcar o Grêmio – e, sem alternativas suficientes para mudar o cenário, mais uma vez o jogo se desenrolou como a velha sina do boi que está indo para o abate (alguém ouviu por aí no fundo “Vida de Gado”, do Zé Ramalho?) – correndo inerte por um corredor para, no final, tomar uma marretada na cabeça e virar aquela ripa de costela que se come todo domingo.

Entretanto, pode ser que haja outras situações impeditivas aos sucessos. Escalar Rafael Marques e Bruno Collaço no mesmo time e querer ganhar é a mesma coisa que Hércules cumprir seus doze trabalhos tendo como único meio de transporte um VICASA trafegando pela BR116 em dia de protesto dos estudantes da Ulbra. Não dá para querer. Aliás, os fatores de contaminação do elenco do Jimo Cupim no resto do grupo são evidentes – Fábio Rochemback e Edcarlos fizeram atuações pífias, assim como o André Lima (sendo que este tem até um perdão, dado que ficou sozinho o tempo inteiro do jogo contra um periquito esgualepado chamado Fábio Ferreira – que já ganhou da coluna o troféu “Elke Maravilha 2000” de pior cabelo do século).

Enfim, muitas preocupações. O momento para decolar e consolidar era a partir de agora, encarando na sequencia Hawaii (caindo pelas tabelas e sendo rebaixado para a praia do Lami em seguida), Cruzeiro (não o grande, da Capital Federal, mas sim o mineiro) e Santos (sem muitos desejos no campeonato). Mas... tomara que nosso destino no campeonato não seja apenas o da vaquinha Mimosa.

Até a próxima coluna!

Doutrinador & Conselheiro

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