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Ressaca de ano novo e o circo do Gauchão
Em (Boca no Trombone, Opinião, Pós-Jogo) por Rodrigo Mallmann em 18-01-2011
O ano efetivamente começou para o Tricolor no sábado, às 17hs, quando o homem que veste preto assoprou o apito e a redonda girou sobre o gramado do Monumental.. E assim como o estagiário de ressaca pós reveillon, o trabalho começa lento, quase parando. Vendo o jogo de sábado, percebe-se que todos os treinadores tem razão ao esbravejar aos quatro ventos a cada início de temporada que tem pouco tempo pra começar a trabalhar. 10 dias de treino não servem pra queimar e recompor 30 dias de fartos churrascos e as calóricas festas de fim de ano. E a preparação física perdeu o jogo.
Enquanto o Grêmio tinha fôlego pra correr, o jogo foi desnivelado, com evidente supremacia do Imortal, as coisas como devem ser. Mas depois que o ácido lático apareceu nos músculos dos jogadores que vestem a azul preto e branco, o Lajeadense teve tempo e perna pra empatar e ainda assustar um bocado. Mas deixa estar. Queremos ganhar o Gauchão, ruralito, cafezinho, o que seja, somos Gremistas, queremos ganhar até o campeonato mundial de par ou ímpar sub 13. Mas sabemos que certas coisas têm que ser bem na maciota, devagarito. Forçar a barra de cara assim pode ocasionar uma lesão em alguma peça chave, que nos criaria problemas bem maiores ali adiante. Deixa o estagiário e sua ressaca. Mas que se aprume logo, toma um café quente, uma colher de Olina, que daqui a pouco tem uma reunião com Artigas, San Martín e Bolívar. E aí, se bobear, essa ressaca te bota na rua.
Respeitável público, estamos diante de mais um espetáculo mambembe (e não mazembe) promovido com excelência pela nossa Federação Gaúcha de Futebol. Todos na platéia assistindo o mestre de cerimônias Chico Noveletto forçar um sotaque russo carregado pra parecer importante, enquanto que por trás dos panos e sobre a serragem do picadeiro, tudo é uma bagunça, uma correria, uma baderna desmedida, a ponto de fazer uma festa de lançamento do novo show após 3 dias do primeiro espetáculo. Não estamos falando daqueles circos ricos, onde a entrada é mais cara que a de um teatro. Trata-se daqueles shows de saltimbancos, onde a caravana passa pela cidade anunciando o grande espetáculo da noite, e que na entrada, o bilheteiro é o mesmo que faz o equilibrista, o vendedor de maçã do amor é o engolidor de facas, e o cara do globo da morte vende algodão doce e faz as vezes de mágico. E o senhor, mestre de cerimônias, assiste a tudo por cima de sua gorda barriga, achando tudo muito bonito. Isso é um abuso. E é isso que o senhor pretende fazer com esse campeonato que organiza?
3 jogos em 5 dias, só pode estar de sacanagem. Engolidor de facas, vendedor de maçã do amor, equilibrista, domador de leão, globo da morte, e mágico. O Grêmio não pode ser tudo isso ao mesmo tempo. E o que nos resta? Ajudar o time, sendo a platéia mais empolgada que já botou os pés sob uma lona de circo. Pelo menos um dos papéis a FGF já chamou pra si. O de palhaço.
Rodrigo Mallmann: Gremista, Gaúcho e Maragato. Nessa ordem. Carne moída é guisado, bolinha de gude é bolita. Pseudo-filósofo e jogador profissional de Super Star Soccer 1996. No Monumental desde piá ranhento. Sempre pelo Tricolor.






