Não dá para dizer que a volta da Coluna da Corneta venha com a força das sete trombetas do Apocalipse. Afinal, é apenas um mês de preparação com um elenco que vem paulatinamente sendo filtrado das más influências e dos vícios já arraigados no antigo elenco tricolor (caso das saídas de Rochemback e, a julgar pelas manifestações apaixonadas daqueles que não viram meias como Vilson Tadei e Osvaldo jogando, do meia em processo de “Tchequização”*: Douglas). Entratanto, é importante deixar claro que algumas verdades já estão ficando escritas na testa de cada torcedor que tem ido aos jogos desse último ano do Olímpico sequiosos de FUTEBOL – mas também de ENTREGA em campo (qualidade também, mas isso é avis rara no atual cenário brasileiro).
Ao que parece, os tiros certeiros que a direção gremista direcionava deram chabu. Nem Giuliano, nem Carlos Eduardo vieram – e, por mais que alguns jogadores tenham tido destaque (exemplos claros são Marcelo Moreno e Kleber – que estão justificando plenamente o investimento) – grassa o vazio no meio de campo e na defesa. Ontem, apenas Fernando teve uma atuação digna de menção; Marquinhos tem severos problemas aeróbicos (mas, quando manteve-se com a respiração em dia, foi bem) – e Leandro e Marco Antonio simplesmente desapareceram em campo. Este último parece ser realmente apenas um jogador de série B, dado que já rodou por diversos clubes e sua única temporada de expressão foi na Portuguesa. Leandro precisa comprar um lote completo de pulseiras POWER BALANCE e amarrar em todos os seus membros inferiores e superiores – só assim pode ficar mais tempo em pé do que deitado.
A zaga é outra calamidade. Particularmente, Conselheiro tinha esperanças em Douglas Grolli – mas as suas últimas atuações tem demonstrado que sua aptidão mesmo é em outra área que o Grêmio vai bem, a construção civil. Talvez um zagueiro experiente possa dar mais estofo à gurizada que foi contratada, mas a forma de atuação e esquema que vem sendo proposta deixa desprotegidos demais os zagueiros – fazendo com que estes recebam o ataque de peito aberto. Já vimos isso entre 1990 e 1991 – onde a zaga escolhida como destaque no campeonato de 90 foi a pior zaga no rebaixamento de 91, apenas se retirando o centromédio que ficava à frente da zaga (na época, Jandir).
Doutrinador & Conselheiro, entretanto, vêem que a principal carência do elenco nem é tanto de QUALIDADE – mas sim de LIDERANÇA. De jogadores que vistam a camisa tricolor e digam “aquele rapaz da voz fininha que adora compartilhar seu quarto de concentração com rapazes jovens, viris e espadaúdos não cabeceia mais na minha área” (vocês sabem de quem falamos), como já tivemos em 1977 – e como sempre foi da tradição do Grêmio. De Leon, Ortunho, Dinho – onde há jogadores dessa estirpe? Certamente que não no Grêmio, que entrega sua braçadeira de capitão para jogadores depressivos que se abatem com uma primeira defecção nas suas atuações.
Detalhe importante que precisa ser lembrado: o próximo jogo é contra o Ypiranga de Erechim, na quarta-feira 08.02 – e BERGSON foi emprestado ao Ypiranga. Doutrinador & Conselheiro temem pelo pior – e temer pelo BERGSON é demonstração de que ainda falta muita coisa para podermos mudar de casa com maior tranquilidade.
Até a próxima coluna!
* Tchequização: procedimento contínuo de cegueira absoluta que alguns torcedores possuem, idolatrando ídolos de barro que eram nada mais do que jogadores médios e dando a entender que tal jogador foi fundamental em vários momentos da vida tricolor. Chegamos a ouvir que ele não só participou do ano de 2005 (e dos seus desdobramentos), mas deu o lançamento para Renato cruzar em 1983 para César dar seu mergulho em direção as redes no 2x1 contra o Penarol e até substituiu o eterno ídolo Eurico Lara no GREnal farroupilha em 1935...