Na Casamata, no Gabinete e nas Tribunas

Em (Corneta, Gestão do clube, Gremismo, Opinião, Política Gremista) por admin em 27-10-2009

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** colaborou Talita Jacques

Agora que o ano do Grêmio já acabou, precisamos fazer uma reflexão sobre as situações vividas. É bom lembrarmos do que deu certo para dar continuidade e também do que deu errado para tentarmos mudar. Tentando ser mais racional o possível e, contando com a ajuda da Talita, fiz uma análise fria, calculista e, espero eu, desprovida de qualquer sentimento de torcedor, para tentar entender o porquê de não termos tido um ano com motivos para comemorar.

Na Casamata
Parece insano o que vou dizer mas, levando em consideração tudo que era esperado, para nós Autuori ainda não estreou pelo Grêmio. Quando ele chegou para substituir o então turrão, prepotente, arrogante e teimoso Celso Roth, acabou cativando imprensa, dirigentes e torcida com um discurso meio que “Obamístico”. Tudo tinha um sentido, a vida era o que motivava, jogadores são o centro do espetáculo, bla-bla-bla-Whiskas-Sachê… é de longe um dos técnicos preferidos da imprensa dada a sua polidez nos comentários, suas explicações sobre conceitos de bola e tudo o mais. Porém, no campo que é onde realmente interessa, não conseguimos estabelecer uma relação discurso versus ação.

Certa feira, quando chegou ao Grêmio para ser treinador, Mancini disse: “(…) pra jogar no Grêmio tem que ter sangue pulsando nas veias (…)“. No entanto, não conseguimos ver isto em campo. Nosso time parece apático, descompromissado, jogando com malemolência. Antes que venham cornetear dizendo que eu devo preferir um time brigador, que jogue feio, lembrem-se que, conforme já falei aqui, o que interessa no fim das contas são os três pontos. Mesmo assim não posso deixar de criticar um trabalho que é rico em conceitos mas pobre em resultados. Controlar o jogo só é efetivo quando se ganha o jogo. Do contrário, é apenas uma jogada para desviar o foco da falta de eficiência e eficácia do time. Se tendo o controle do jogo nós nunca ganhamos a não ser em casa, com o apoio da torcida, prefiro levar sufoco o jogo inteiro e sair com 3 pontos, “Seu” Autuori!

No Gabinete
Qual a razão para um clube de futebol existir? Basta ter dois neurônios a mais que uma minhoca pra saber que é o TIME que move o clube. Vendo vários comentários na internet, li uma frase que pode traduzir o sentimento deste ano: “Este é o ano da torcida que não tinha um time“. Para se montar um bom time de futebol, precisamos de pessoas no comando que entendam de futebol. Precisamos de uma figura que tenha sensibilidade nos comentários, que não tente dar desdobres para perguntas mais complicadas. Precisamos de alguém com pulso firme de chegar no vestiário e botar as cartas na mesa com todos. Não precisamos de alguém que tenha um planejamento. Precisamos de alguém que tenha VÁRIOS planejamentos guardados na manga pois, se uma estratégia sair errada, há tempo de consertar aplicando outra.

Qual é a cara do Grêmio hoje? Qual é o perfil do Grêmio? Alguém sabe? Eu não sei mas, jogadores do quilate de Roger, Marcelinho Paraíba e Gilberto não têm, pelo jeito. Por que demoramos tanto pra contratar jogadores? Por que toda contratação de jogador é uma novela mexicana? Ainda se fosse a contratação de um Adriano, Ronaldo “Rolando” Nazário, Ronaldinho, a gente não criticaria. Mas passar trabalho para contratar o Renato Cajá? Nada contra ele, espero que dê certo mas para tomar tanto na cabeça para contratar um jogador comum é muito amadorismo.

Não precisamos entrar “fortes” em uma competição. Precisamos entrar PARA VENCER em uma competição! Precisamos de alguém no comando do futebol do Grêmio que justifique a grandeza do Grêmio! Precisamos de alguém com as características citadas mais acima! Precisamos de alguém que entenda de futebol já! Meira, deu pra ti! Tu pode ter muito valor em outra área do clube mas deixa o futebol pra quem realmente entende do negócio!

Nas Tribunas
Eu que tanto me orgulhava de fazer parte da melhor torcida do país, hoje penso que somos apenas mais uma torcida. A Geral agora são duas torcidas opostas. Tudo por causa dos arranjos políticos nos bastidores do clube. Aliás, o Grêmio anda parecendo o Legislativo Federal: negociatas, ranço político, ataques de estrelismo e disputa de beleza. Tudo isso tem notoriedade, em detrimento ao bem comum da torcida que é o maior patrimônio que o Grêmio tem. Mas vamos deixar esses politiqueiros de uma figa de lado por ora. O que importa é que a torcida rachou e não temos mais um canto em uníssono no estádio. Cada vez mais a torcida está se deixando levar pela imprensa que muitas vezes é tendenciosa e corneteando o time sem sentido algum!

Indo na direção oposta, temos os torcedores que vou chamar de “cordeirinhos”. São aqueles que se o Grêmio ganha, comemora. Se o Grêmio empata, comemora. Se o Grêmio perde, comemora. Se eu fosse jogador pensaria: “Se eles aplaudem tudo que eu faço, não preciso me gastar, pois não vai dar nada“. Apoio incondicional tem duração: 90 minutos. Após, se o time não corresponde, a torcida TEM que ter poder de indignação. Durante o jogo sim, tem que apoiar. Mas depois do jogo, dependendo do resultado, temos que chiar, reclamar. Afinal de contas somos Imortais e fazemos parte de uma instituição gloriosa. Porém, não podemos fazer com que essa história gloriosa fique apenas no passado! Chega de comemorar vaga e, quando o time perde ficar “batendo palminha”!

Enfim, não há muito mais a dizer se não isso. O ano acabou. Não nos iludamos com nossa campanha. Precisamos ter humildade neste momento e nos darmos por conta de que precisamos pensar em um 2010 melhor.

Para encerrar, todos os anos têm que ser planejados com MUITA vontade! SEMPRE!!! Não somente na hora ruim, mas na hora boa também. Ok, Duda?

A pé ou não, SEMPRE COM O GRÊMIO!!!

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comentários:

1 comentário para “Na Casamata, no Gabinete e nas Tribunas”


  1. Olhando atrás da cortina: “Não tiro a culpa de determinadas falhas do nosso treinador, porém, com essas pessoas o “assessorando”, ficaria difícil até para o Felipão tocar esse barco, que não está furado, mas tem água dentro.”

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